Justiça do Rio de Janeiro revoga prisão de influencer Luan Lennon

Medidas cautelares foram mantidas enquanto Ministério Público negocia acordo de não persecução penal

Manuella Dal Mas, da CNN Brasil, em São Paulo
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A Justiça do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva do influenciador digital Luan Lennon e de outros dois investigados no caso em que um suposto furto de celular teria sido forjado para produção de conteúdo nas redes sociais.

A decisão foi assinada nesta quarta-feira (13) pelo juiz Bruno Rodrigues Pinto, da 1ª Vara das Garantias da Comarca da Capital. Além de Luan Lennon, também tiveram a prisão revogada outros dois participantes da ocorrência. Os três haviam sido presos em flagrante e investigados pelo crime de denunciação caluniosa, previsto no artigo 339 do Código Penal.

Na decisão obtida pela CNN Brasil, o magistrado afirmou que não havia elementos que justificassem a manutenção da prisão cautelar dos investigados.

Segundo o texto, eles não possuem antecedentes criminais e o caso não envolveu violência ou grave ameaça. O juiz também destacou manifestação do Ministério Público do Rio de Janeiro informando a intenção de oferecer um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) aos investigados.

Por isso, a decisão aponta ausência de “periculum libertatis, expressão jurídica usada para indicar “perigo gerado pela liberdade” do investigado ou réu. No Direito Penal, é um dos requisitos que justificam a prisão preventiva e se refere ao risco concreto de que o investigado, em liberdade, possa atrapalhar as investigações, ameaçar testemunhas, destruir provas, fugir ou voltar a cometer crimes.

No caso, o magistrado entendeu que esse requisito não ficou configurado porque os investigados são réus primários, o crime apurado não teve violência ou grave ameaça e o próprio Ministério Público indicou a possibilidade de resolução do caso por meio de acordo, sem necessidade de continuidade da prisão preventiva.

Apesar da soltura, a Justiça determinou medidas cautelares. Os investigados deverão comparecer mensalmente ao juízo e estão proibidos de deixar a comarca. O magistrado ainda concedeu prazo de 30 dias para que o Ministério Público e as defesas negociem os termos do possível acordo.

Entenda o caso

Luan Lennon, que possui mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, foi preso na última sexta-feira (8), no centro do Rio de Janeiro, suspeito de forjar um furto de celular nas proximidades da Praça da República para gravar conteúdo sobre flanelinhas.

Segundo a investigação, o influenciador teria afirmado à Polícia Militar que flagrou um homem retirando um celular do interior de um veículo, recuperado o aparelho e acionado os agentes.

No entanto, durante a apuração, a Polícia Civil identificou divergências entre os depoimentos e as imagens apresentadas. O aparelho mostrado nas gravações teria características diferentes do celular que supostamente havia sido furtado.

O homem apontado inicialmente como autor do furto afirmou em depoimento que vive em situação de rua e teria sido incentivado a participar da ação em troca de R$ 30. Ele também declarou que a situação teria sido armada.

Após diligências, a Polícia Civil concluiu que o crime teria sido forjado e autuou os três investigados em flagrante por denunciação caluniosa.

A CNN Brasil tenta contato com o influencer. O espaço está aberto.