O que sabemos e o que falta saber sobre a ação policial mais letal do RJ

Operação teve como objetivo combater a expansão territorial do Comando Vermelho e cumprir 100 mandados; 121 pessoas morreram

Beto Souza, da CNN Brasil, Julia Farias e Thomaz Coelho, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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A Operação Contenção foi uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense. O evento ficou marcado como a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, com 121 mortos.

O objetivo da operação foi combater a expansão territorial do CV (Comando Vermelho) e cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes e lideranças criminosas da facção. Entre os alvos estavam 30 membros da facção oriundos de outros estados, principalmente do Pará, que estariam escondidos nas comunidades.

De acordo com as autoridades, a operação foi resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes). Cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança participaram. O suporte logístico incluiu drones, dois helicópteros, 32 blindados e 12 veículos de demolição.

Veja saldo da operação

  • 121 mortos, sendo 117 suspeitos e 4 policiais;
  • 113 presos e 10 menores apreendidos;
  • 118 armas apreendidas (91 fuzis + 26 pistolas + 1 revólver), 14 artefatos explosivos.

Entre os principais nomes do CV presos na operação está Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão ou Belão do Quitongo. Ele é apontado como braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo "Doca" ou "Urso".

O que sabemos

Os quatro policiais mortos no confronto foram enterrados nesta quinta-feira (30). Dois deles integravam o Bope: o sargento Heber Carvalho da Fonseca e o policial militar Cleiton Serafim Gonçalves.

Também morreram os policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, chefe da 53ª DP (Mesquita), e Rodrigo Velloso Cabral, inspetor da 39ª DP (Campo Grande).

Próximas ações do governo

A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias das mortes e o desenvolvimento da operação. Após reunião com governadores aliados, o governador Cláudio Castro (PL) anunciou o lançamento de um consórcio interestadual voltado à segurança pública e ao combate ao crime organizado.

Por sua vez, o Governo Federal anunciou a criação de um escritório emergencial de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. A decisão é um dos desdobramentos de reunião realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros e autoridades federais, onde repercutiram a operação realizada na terça-feira.

De acordo com Lewandowski, o escritório vai "facilitar o diálogo entre União e governo estadual", desfazer amarras burocráticas, além de unir esforços das forças federais e estaduais para que a crise no Rio de Janeiro seja rapidamente superada.

O que falta esclarecer

Edgar Alves de Andrade, conhecido como "Doca" ou "Urso", é apontado como a principal liderança do Comando Vermelho no Complexo da Penha e foi considerado o principal alvo da operação. O governo do Rio oferece recompensa de R$ 100 mil pela captura do criminoso, que é considerado de "altíssima periculosidade".

Segundo as forças de segurança, Doca chefia o tráfico de drogas na região e é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimento de moradores.

No entanto, Doca segue foragido do sistema prisional e possui mais de 20 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e pelo Conselho Nacional de Justiça.

No fim de 2023, investigações apontaram Doca como mandante do ataque que matou três médicos na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital. As vítimas participavam de um congresso e foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras.

Segundo apurado pela CNN Brasil, Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, braço direito de Doca, foi preso na megaoperação das polícias do Rio de Janeiro na terça (28).

Corpos retirados de mata

A Praça da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, amanheceu com uma fila de corpos estendidos em uma lona na manhã da última quarta-feira (29).

Após o confronto, moradores retiraram corpos da mata e os colocaram em uma praça. A retirada foi criticada pela Polícia Civil, que afirmou que o procedimento ocorreu sem autorização.

No entanto, ainda não se sabe se todos os corpos retirados eram de suspeitos que tentaram fugir da megaoperação.

O sargento Heber Carvalho da Fonseca, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi sepultado no cemitério de Sulacap • Lorando LAbbe/FotoArena/Estadão Conteúdo
O sargento Heber Carvalho da Fonseca, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi sepultado no cemitério de Sulacap • Lorando LAbbe/FotoArena/Estadão Conteúdo

O que foi apreendido?

Além das 121 mortes, a operação apreendeu 118 armas — entre elas 91 fuzis — e recolheu 14 artefatos explosivos. Também houve apreensão de drogas no local.

No entanto, as drogas apreendidas ainda estão em processo de contagem pelas autoridades e não se sabe um balanço final da apreensão dos entorpecentes. Em operações desse porte a consolidação do material costuma levar mais tempo devido ao volume e à necessidade de catalogação detalhada.