Polícia diz que pessoas que tiraram corpos de mata serão investigadas

Segundo o balanço oficial do governo, a operação, considerada a mais letal da história do estado, deixou 119 mortos

Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil, Carolina Figueiredo e Cleber Rodrigues, da CNN Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai investigar, por fraude processual, as pessoas que retiraram os corpos dos mortos de uma mata após a megaoperação contra o Comando Vermelho. A informação foi confirmada pelas forças de segurança do estado em uma coletiva no início da tarde desta quarta-feira (29).

Na manhã desta quarta, a Defensoria Pública do Rio afirmou que a ação das forças de segurança do Rio de Janeiro nos Complexos da Penha e do Alemão deixou ao menos 130 mortos.

No entanto, em entrevista coletiva no início da tarde, um balanço do governo do estado apontou que a megaoperação deixou 119 mortos (58 no dia da operação e outros 61 corpos encontrados na mata).

Na manhã desta quarta, a Praça da Penha, na Zona Norte do Rio, amanheceu com uma fila de corpos estendidos em uma lona. Segundo ativistas e moradores, mais de 60 corpos foram retirados pelos próprios cidadãos de uma região de mata do Complexo da Penha, durante a madrugada.

Segundo o governo, 61 corpos foram encontrados e retirados na mata.

O que sabemos sobre operação

Operação Contenção foi uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, realizada nessa terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense.

A ação, que mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança, foi resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SESP) e o Governo do Estado, o objetivo principal era combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes e lideranças criminosas do CV.

Entre os alvos, 30 seriam membros da facção oriundos de outros estados, com destaque para o Pará, que estariam escondidos nessas comunidades.

Operação mais letal da história

A Operação Contenção se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro, totalizando os 119 mortos.

Além dos mortos, 10 menores foram apreendidos e putras 113 pessoas foram presas, incluindo Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, que é apontado como o operador financeiro do CV no Complexo da Penha e braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo "Doca" ou "Urso".