Sindicato mantém greve de ônibus no Rio até segunda-feira (6)

Categoria pede 17% de aumento, vale-alimentação de R$ 1 mil e salários de até R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados

Khauan Wood, da CNN Brasil*, em São Paulo
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A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro será mantida, pelo menos, até a próxima segunda-feira (6). A decisão foi tomada pela categoria após a audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (30) no TRT-1 (Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região) terminar sem uma nova proposta apresentada pelo sindicato patronal.

Segundo a direção do Sindicato dos Rodoviários, os representantes das empresas de ônibus não apresentaram uma nova oferta durante a reunião.

Diante disso, o desembargador responsável pelo caso suspendeu a audiência e estabeleceu prazo até as 11h de segunda-feira (6) para que o setor patronal apresente uma proposta considerada viável pelo sindicato, que será submetida à avaliação da categoria em assembleia.

Após a audiência, os trabalhadores aprovaram, em votação, a manutenção do estado de greve. Uma nova assembleia está marcada para a tarde de segunda-feira, em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, quando a categoria decidirá os próximos passos do movimento.

Apesar da paralisação, uma liminar da Justiça do Trabalho determinou que sindicato e empresas mantenham ao menos 50% da frota de ônibus em circulação durante a greve. O descumprimento da decisão pode acarretar multa diária de R$ 50 mil.

De acordo com balanço divulgado pelo Rio Ônibus no início da tarde desta terça-feira, cerca de 1.500 coletivos circulavam pela capital fluminense.

Em nota, o sindicato patronal informou que houve novos registros de vandalismo contra ônibus durante a greve. Apenas na manhã desta terça-feira, três veículos foram depredados, elevando para cerca de 50 o número de ônibus danificados desde o início da paralisação.

Em relação aos atos de vandalismo ocorridos, a direção do Sindicato dos Rodoviários afirmou que é expressamente contrária a qualquer tipo de ações violentas e que não aceita nem compactua com esse tipo de comportamento.

O MPT (Ministério Público do Trabalho) informou em nota que continuará acompanhando a situação, no âmbito de sua atuação institucional em defesa do interesse público, da liberdade sindical e dos direitos fundamentais envolvidos. Veja a nota na íntegra:

"O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) participou, nesta terça-feira (30/6), de audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) para buscar uma solução negociada para a greve dos rodoviários do município do Rio de Janeiro.

Durante a audiência, o TRT-RJ e o MPT-RJ apresentaram uma proposta para que os trabalhadores suspendessem a greve e retomassem as atividades, enquanto as negociações prosseguissem. Em contrapartida, o sindicato patronal se comprometeria a não descontar os dias de paralisação e o intervalo intrajornada enquanto prosseguisse a negociação.

A proposta foi levada pelo sindicato profissional à assembleia da categoria logo após a audiência. No entanto, os trabalhadores decidiram manter a greve. Uma nova audiência de conciliação ficou marcada para a próxima segunda-feira, no dia 6 de julho, no TRT-RJ.

No último sábado (27/6), o MPT-RJ já havia expedido Recomendação ao sindicato profissional e ao Rio Ônibus para que fosse observado o funcionamento mínimo de 50% da frota nos horários de maior demanda. Ainda no sábado, o plantão judiciário do TRT-RJ deferiu liminar determinando a manutenção de, no mínimo, 50% da frota em circulação, com o objetivo de assegurar o direito fundamental de locomoção da população.

O MPT esclarece que a greve é um direito fundamental assegurado pelo art. 9º da Constituição Federal e regulamentado pela Lei nº 7.783/1989, que estabelece os requisitos para sua deflagração e exercício de forma lícita. O órgão informa, ainda, que continuará acompanhando a situação, no âmbito de sua atuação institucional em defesa do interesse público, da liberdade sindical e dos direitos fundamentais envolvidos."

A CNN Brasil tentou contato com o TRT-1 e aguarda retorno.

Entenda a greve

A paralisação começou à meia-noite de segunda-feira (29) após o fracasso das negociações da campanha salarial da categoria. Sem consenso entre trabalhadores e empresas, os rodoviários decidiram iniciar o movimento paredista enquanto reivindicam melhorias nas condições de trabalho e reajustes salariais.

Entre as principais reivindicações da categoria estão:

  • Piso salarial de R$ 4 mil para motoristas e de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados;
  • Reajuste de 17% para todos os trabalhadores;
  • Vale-alimentação de R$ 1 mil;
  • Plano de saúde e odontológico;
  • Fim dos contratos temporários na Mobi-Rio, com a transição para o regime CLT.

*Sob supervisão de AR.