Três dias após decisão, Seap diz que ainda não recebeu alvará de Oruam

Rapper terá prisão preventiva substituída por medidas cautelares, mas aguarda liberação oficial

Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro
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Apesar da decisão liminar que revogou a prisão preventiva de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, artisticamente conhecido como Oruam, a Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) ainda não recebeu o alvará oficial para liberá-lo. A informação foi confirmada pelo órgão nesta segunda-feira (29).

A noiva do rapper Oruam, Fernanda Valença, organizou uma vigília com amigos e familiares na esperança de acompanhar a saída do artista. A expectativa é que ele saia do presídio nos próximos dias.

O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Joel Ilan Paciornik determinou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares alternativas. Segundo o magistrado, a custódia cautelar, que deve ser exceção, foi imposta com fundamentação insuficiente, incapaz de sustentar a medida.

Mesmo com a decisão favorável, a liberação do rapper depende da notificação oficial à Seap, responsável por cumprir o alvará.

 

Oruam, de 25 anos, se entregou em 22 de julho após a prisão preventiva ter sido decretada por associação ao tráfico de drogas e ligação com o CV (Comando Vermelho).

Filho de Marcinho VP, apontado como um dos líderes da facção, e sobrinho de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, Oruam possui tatuagens em homenagem a ambos. Ele sempre negou envolvimento em atividades criminosas e, antes de se entregar, publicou em suas redes sociais: “Todos que gostam de mim, vou me entregar tropa, não sou bandido”.

Em nota, os advogados de Oruam reforçaram que “a Defesa demonstrou que todos os argumentos utilizados para a decretação e a manutenção da prisão são rechaçados pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, evidenciando amplamente a ilegalidade da medida adotada”. Eles ainda informaram que o cantor se submeterá às medidas cautelares determinadas e continuará provando sua inocência ao longo do processo.