Vereador é preso em operação contra Comando Vermelho no RJ

Salvino Oliveira (PSD) teria negociado com traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, Camille Barbosa, da CNN Brasil, em São Paulo
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O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi preso, na manhã desta quarta-feira (11), durante uma operação da PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) contra o CV (Comando Vermelho), na cidade do Rio de Janeiro. Além dele, seis policias militares foram detidos. 

Segundo as investigações, o político teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, uma autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio da facção carioca.

Como forma de compensação, o parlamentar teria articulado benefícios ao CV, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. A polícia aponta que uma das ações seria a instalação de quiosques na região. A definição de parte dos beneficiários teria sido determinada diretamente por integrantes do crime organizado, sem processo público transparente.

O objetivo das negociações seria transformar territórios dominados pelo Comando Vermelho em bases eleitorais.

Família de "Marcinho VP"

O trabalho investigativo também identificou a participação direta de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, um dos principais líderes do CV.

Segundo apurado pela corporação, Márcia Gama, esposa do homem e mãe do artista Oruam, atuava na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos.

Outra pessoa investigada e apontada como peça relevante na estrutura é Landerson, um sobrinho de Marcinho VP. A polícia afirma que ele exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas usadas pelo CV.

Entre as ações estão serviços, imóveis e outros negócios usadas para geração de recursos e expansão do poder do grupo. Tanto Márcia quanto Landerson não foram localizados em seus endereços e são considerados foragidos da Justiça.

Cooperação entre CV e PCC

Também foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, como vazamento de informações e simulação de operações.

O material investigativo aponta ainda para indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Defesas

Em comunicado, o gabinete do vereador afirmou que não recebeu qualquer informação oficial sobre o ocorrido. "A assessoria jurídica já foi acionada e aguardamos esclarecimentos das autoridades competentes para compreender os fatos", diz a nota.

Na chegada à Cidade da Polícia, o advogado Flávio Fernandes, represente de Márcia, falou à imprensa que ainda não teve acesso aos documentos da investigação, mas que confia na Justiça.

A defesa também destacou que recebeu a notícia com surpresa e afirmou que Márcia estava viajando “como pessoa livre” desde segunda-feira (9). O escritório ainda informou que irá orientá-la de acordo com o que for entendido tecnicamente, mas acredita que ela irá “se entregar”, segundo o perfil dela.

O que diz a PM

Procurada pela CNN Brasil, a  Polícia Militar informou que a Corregedoria da corporação acompanhou a Polícia Civil no cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra seis policiais militares. Eles serão levados para a Cidade da Polícia e depois transferidos para a unidade prisional da corporação, em Niterói.

O comando da PM afirmou que "não tolera desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes" e que pune rigorosamente os responsáveis quando os fatos são comprovados.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos investigados da "Operação Contenção Red Legacy". O espaço segue em aberto para manifestações.