"Amanhã vou ficar bem ativa nas redes”, disse Deolane antes de prisão

Influenciadora teria usado projeção pública e empresa para lavar dinheiro do PCC, segundo Ministério Público de São Paulo

Khauan Wood, da CNN Brasil*, em São Paulo
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A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente, na manhã desta quinta-feira (21), em sua casa na cidade de Barueri, na Grande São Paulo, como um dos principais alvos da Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo).

Um dia antes de ser detida, a empresária apareceu em um vídeo nas suas redes sociais dizendo aos seguidores: “Amanhã vou ficar bem ativa nas redes”. Na manhã seguinte, ela foi presa.

Veja o vídeo:

A prisão ocorreu logo após o retorno de Deolane ao Brasil. A influenciadora passou as últimas semanas em Roma, na Itália, período em que chegou a ter seu nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol para prisão internacional.

O plano inicial das autoridades era detê-la no exterior, mas ela desembarcou no país na tarde de quarta-feira (20), véspera da operação.

O papel no esquema do PCC

De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ela ocupava uma posição de destaque no núcleo financeiro de uma "engrenagem financeira milionária" utilizada para ocultar e reintegrar à economia formal recursos ligados à alta cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital).

As investigações tiveram início em 2019, a partir de bilhetes e manuscritos apreendidos com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

A apuração aponta que a influenciadora utilizava sua "aparente respeitabilidade social", sua projeção pública e sua estrutura empresarial como camadas de legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos valores.

Leia: Influencer Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC em SP

Os investigadores chegaram até Deolane após a apreensão do celular de gestores de uma transportadora que funcionava como braço financeiro da facção.

No aparelho, foram encontrados comprovantes de depósitos diretos para contas da influenciadora, realizados em um contexto de "fechamento de contas" do crime organizado, orientados pelo operador financeiro Everton de Souza, vulgo "Player".

As análises revelaram transações bancárias milionárias que não possuíam lastro econômico compatível com a renda declarada da advogada.
Marcola e família também são alvos

Além de Deolane e "Player", a operação tem como alvos diretos o líder máximo do PCC, o Marcola, seu irmão Alejandro Camacho, e dois sobrinhos, apontados como responsáveis por transmitir ordens e gerir o patrimônio.

A Justiça paulista determinou seis prisões preventivas, o bloqueio de mais de R$327 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de quatro imóveis e 17 veículos de luxo vinculados aos investigados, avaliados em mais de R$8 milhões.

Outro lado

Pelas redes sociais, sua irmã e também advogada, Daniele Bezerra, criticou duramente a condução do caso e classificou a prisão como "pressão, marketing ou vingança social".

Na declaração ela afirma que “Acusar é fácil. Difícil é provar”. Daniele argumentou ainda que a Justiça está tentando transformar “suposições em verdades e manchetes em condenações” antes da conclusão do devido processo legal e reiterou a confiança de que as acusações serão revertidas.

Defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola

Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público.

É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a 'aquela mulher da transportadora', referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda.

A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco.
O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade.

As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais - relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes.

É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indicios e 'suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa.

Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judiciall definitivo.

A defesa de integrantes da família de Marcola também emitiu um comunicado. Veja abaixo:

"A defesa de Paloma Sanches Herbas Camacho Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, representada pelo advogado Bruno Ferullo, vem a pública manifestar-se sobre a Operação Vernix, deflagrada em 21 de maio de 2026 pelo GAECO de Presidente Prudente.

Esclarecemos que o deferimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade. O caso encontra-se na fase de inquérito policial, etapa preliminar baseada em indicios sujeitos ao contraditório, e a inocencia de nossos clientes será plenamente comprovada ao longo do processo.

Solicitamos à imprensa e á sociedade o respeito à presunção de inocencia, direito fundamental garantido pela Constituição Federal, abstendo-se de conclusões precipitadas antes de qualquer pronunciamento judicial definitivo."

A CNN Brasil tentou contato com a defesa dos outros citados, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo