Após onda de assaltos em SP, especialistas explicam como agir em perigo

Em cerca de uma semana, ao menos cinco pessoas foram baleadas ou mortas durante assaltos; profissionais indicam que melhor opção é sempre não reagir aos crimes e manter a calma, além de cobrar as autoridades para que investigações caminhem

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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Um pequeno movimento ou reação pode separar a vida e a morte em instantes. Esse é o cenário violento que moradores de São Paulo têm enfrentado com a onda de assaltos que ocorre na cidade. Nos últimos dias, a zona Sul da capital paulista foi palco das principais ações criminosas, o que reacendeu o debate sobre como as vítimas devem agir quando estão em perigo.

Em cerca de uma semana, ao menos cinco pessoas foram baleadas ou mortas durante assaltos, sendo que três delas reagiram à ação criminosa. A CNN Brasil conversou com especialistas em segurança pública que explicaram que a melhor opção é sempre não reagir às tentativas de assalto. 

Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, afirmou que cada vez mais, sobretudo pelo medo e pela indignação, é difícil não querer tomas providências por conta própria ao sofrer o crime, mas o ideal é seguir o que o criminoso fala.

"São casos graves, pois o bem roubado geralmente é o celular, onde a vida da vítima está ali. Isso faz com que as pessoas, até involuntariamente, reajam ou demorem para entregar o bem. O ciclo faz com que os casos sejam mais violentos. A recomendação é para nunca reagir. Então, o que resta é fazer o que o criminoso pede e manter a calma", explicou Carolina.

Além disso, ela afirma que, após o crime, é necessário cobrar atitudes das autoridades frente às investigações da ocorrência e, no caso das testemunhas, é muito importante também não reagir, mas se possível, registrar todos os detalhes que possam ajudar na apuração posteriormente.

"A melhor forma é acionar as autoridades. A culpa nunca é da vítima", complementou a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.

Entenda os casos

No caso mais recente, na noite de segunda-feira (20), um homem foi baleado na rua Gomes de Carvalho, na Vila Olímpia, zona Sul de São Paulo, após tentar recuperar o celular roubado da namorada. De acordo com a PM, o casal caminhava quando foi abordado por dois criminosos, cada um em uma motocicleta. Os suspeitos anunciaram o assalto e pegaram os celulares.

O homem tentou recuperar o aparelho, mas foi baleado, sendo atingido na clavícula esquerda e na mão direita. Ele foi socorrido por uma equipe de resgate e encaminhado ao Pronto-Socorro do Hospital São Paulo, onde permaneceu internado. Já os suspeitos, fugiram .

No dia anterior, um homem havia sido morto durante uma tentativa de assalto. Dessa vez, o caso ocorreu em Moema, também na zona Sul da capital paulista. A vítima tentou intervir na ação criminosa para defender um casal e chegou a entrar em confronto físico com o assaltante. Luciano Teixeira dos Santos foi baleado na cabeça e não resistiu aos ferimentos.

No Jardim Ângela, ainda na zona sul de capital, na noite de quinta-feira (16), o crime fez mais uma vítima. Alison Oliveira de Jesus, de 42 anos, morreu após tentar impedir que um entregador fosse roubado por dois homens. Ao presenciar a tentativa de assalto, o homem jogou o carro contra os criminosos, mas perdeu o controle do veículo e invadiu o muro de um bar.

Apesar de ter sido atingido, um dos suspeitos conseguiu se levantar rapidamente, sacou uma arma e efetuou disparos que atingiram a cabeça de Alison. O motorista não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que "todas as ocorrências citadas são rigorosamente apuradas pela Polícia Civil para identificação e prisão dos autores, com apoio da Polícia Militar no atendimento e reforço do policiamento nas áreas mais sensíveis."

Além disso, disse que a orientação da pasta é que "a população não reaja a roubos, acione a equipe mais próxima ou ligue para o serviço 190 e registre boletim de ocorrência, inclusive pela Delegacia Eletrônica."