Caso Gritzbach: “Não foi só o Vinicius”, diz mãe de motorista morto

Declaração de mãe de Celso Novais ocorreu na entrada do Fórum de Guarulhos, onde PMs acusados pela morte de delator do PCC são julgados

Beto Souza e Bruno Teixeira, da CNN Brasil, em São Paulo
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A morte simbólica de Vinicius Gritzbach, delator do PCC, em novembro de 2024, não foi a única vida perdida naquele dia. O motorista de aplicativo Celso Novais também morreu com tiros de fuzil.

O Tribunal do Júri no Fórum de Guarulhos, começou a julgar Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva, nesta segunda-feira (22). Os policias militares são réus e acusados de executarem as vítimas, no Portão 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

"Ele também precisa ser lembrado"

A mãe do motorista de aplicativo viajou de Brasília até São Paulo, para presenciar o julgamento dos executores do filho, e clama por justiça.

Acompanhada da filha, irmã da vítima, Aparecida Camila, de 65 anos, elas defendem que o nome de Celso seja lembrado após o atentado que vitimou o familiar.

Embora o caso tenha tomado proporções por conta de Vinicius Gritzbach, a morte do motorista de aplicativo, que nada tinha a ver com o processo de delação envolvendo a maior facção do país, não é de menor importância. Além de irmão e filho, Celso deixou três filhos.

Como funciona o Tribunal do Júri

Durante o julgamento do caso Gritzbach serão ouvidas 21 testemunhas, sendo nove de acusação, uma comum ao MP e ao réu Juan, duas de defesa do réu Juan, duas de defesa dos réus Juan e Denis, duas de defesa do réu Denis e cinco de defesa do réu Fernando.

O passo inicial para o júri é o sorteio dos jurados. A etapa conta com 25 pessoas que podem ser selecionadas. Destes, sete são sorteados para compor o Conselho de Sentença.

Eles fazem a leitura das peças principais do processo, para se inteirarem do caso julgado. É o Conselho de Sentença que decide sobre a condenação ou absolvição dos réus. Já ao juiz, cabe apenas presidir os trabalhos, realizar a dosimetria da pena em caso de condenação e redigir a sentença.

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A partir disso, começam as oitivas das testemunhas. Em seguida, os réus são interrogados.

Após o interrogatório, começa a fase dos debates, em que representantes da acusação e da defesa expõem as teses ao Conselho de Sentença.

Em primeiro lugar, é a parte da acusação quem tem a palavra. Caso haja apenas um réu, o tempo de fala é de uma hora e meia. Em caso de dois ou mais réus, o tempo é de duas horas e meia.

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Em seguida, é a vez da defesa dos réus se pronunciarem pelo mesmo período de tempo. No entanto, se houver réplica do MP, o tempo é de mais uma hora (se for um réu) ou duas horas (se forem dois ou mais réus) para a acusação e igual tempo para a tréplica da defesa.

Um dos últimos passos é o momento em que o Conselho de Sentença se reúne na sala secreta para votar os quesitos e decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus. Por fim, o juiz prepara e faz a leitura da sentença.