Caso Leandro Lo: PM acusado do homicídio é absolvido por júri
Campeão mundial de jiu-jitsu foi morto em uma casa de show, em 2022, na capital paulista

O ex-tenente da PM Henrique Otavio Oliveira Velozo, acusado pelo homicídio do lutador Leandro Lo, foi absolvido pelo júri nesta sexta-feira (14). O Conselho de Sentença entendeu que o militar agiu em legitíma defesa.
Em relato à CNN Brasil, Guilherme Drabovski, advogado que faz parte do Escritório Dalledone, da defesa do PM, confirmou a absolvição. Leandro Lô Pereira do Nascimento morreu após ser baleado na cabeça em um show na Zona Sul de São Paulo, na madrugada do dia 7 de agosto de 2022, no Esporte Clube Sírio.
A defesa do réu alegou, desde o início da ação penal, que o policial se defendeu do lutador e apontou contradições nos relatos das testemunhas, o que contribuiu para a decisão do júri.
O julgamento começou na última quarta-feira (12), no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, e teve a duração de três dias.
Leia abaixo a nota da defesa do militar absolvido:
"O escritório Dalledone & Advogados Associados informa que, após três dias intensos de julgamento, o Tribunal do Júri absolveu, na noite desta sexta-feira (14), o tenente Henrique Velozo, acusado pela morte do campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo. O advogado Cláudio Dalledone Junior destacou que as provas trazidas ao processo demonstraram que o policial se defendeu do lutador. “Desde o início, a defesa demonstrou, por meio de provas e análises técnicas, que Henrique Velozo agiu em legítima defesa, depois de ser agredido e desmaiado por Leandro Lo”, explicou. Durante o julgamento, a defesa também destacou contradições nos relatos de testemunhas. “Nada encaixava com a dinâmica real dos fatos. E foi justamente isso que a defesa conseguiu expor ao longo do julgamento. Testemunha após testemunha, mostramos que o próprio conjunto probatório desmontava a versão inicial. A absolvição de hoje é o reconhecimento de que a verdade prevaleceu”, disse o advogado Renan Canto. Com a absolvição, o tenente Henrique Velozo deixa o plenário como integrante da Polícia Militar e inocente das acusações que pesavam contra ele. “Leandro Lo foi um grande campeão e isso precisa ser reconhecido. Mas também é necessário reconhecer que, infelizmente, ele foi o responsável por essa tragédia”, finaliza Dalledone. O escritório Dalledone & Advogados Associados está à disposição para entrevistas e esclarecimentos".
Relembre o caso
O caso ocorreu em agosto de 2022, quando Leandro Lo, octacampeão mundial da modalidade, foi baleado na cabeça durante um show no Clube Sírio, na Zona Sul de São Paulo. Desde então, o tenente Velozo permaneceu preso preventivamente no presídio militar Romão Gomes, na Zona Norte da cidade, sendo transferido para a prisão comum somente em outubro de 2025.
Segundo as investigações policiais, Leandro Lo se envolveu em uma discussão no clube. Em um primeiro momento, o lutador teria derrubado o policial militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, que o teria provocado.
Velozo, então, teria se retirado do local e retornado armado, efetuando um disparo fatal na cabeça do atleta. Após o disparo, o policial ainda teria chutado Lo duas vezes, mesmo com o lutador já desacordado no chão, antes de deixar o local.
Henrique Velozo se apresentou à Corregedoria da Polícia Militar no dia seguinte ao crime e foi conduzido à delegacia para prestar depoimento. A Justiça decretou sua prisão temporária, que posteriormente foi convertida em preventiva. O policial foi indiciado por homicídio por motivo fútil, e foi investigado pelo 16° DP, na Vila Clementino.


