"Cova dos Ossos": homem morre queimado durante ritual religioso com fogo

Polícia investiga responsáveis por templo em São Bernardo do Campo

Adriana De Luca, da CNN, São Paulo
Homem morre queimado durante ritual religioso na Cova dos Ossos  • Divulgação
Compartilhar matéria

A Polícia Civil de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, investiga um incêndio ocorrido durante um ritual religioso que terminou com a morte de um homem e deixou várias pessoas feridas. O caso aconteceu no dia 20 de julho, em um imóvel no bairro Jardim Laura, utilizado como espaço religioso sob o nome “Cova dos Ossos”.

A vítima foi identificada como Jefferson Charles Cano, de 47 anos. Ele sofreu queimaduras que atingiram cerca de 60% do corpo e não resistiu aos ferimentos. A esposa dele, Elaine Teberga Cano, foi internada em estado grave na UTI do Hospital Notre Dame. Outras oito pessoas foram atendidas em unidades de saúde da região.

A polícia passou a investigar o caso por conta de uma denúncia anônima.

Segundo laudos do Instituto de Criminalística, o incêndio foi provocado pelo uso de etanol em um caldeirão com fogo em ambiente fechado, sem medidas adequadas de segurança. Testemunhas relataram que crianças também estavam presentes durante o ritual.

As investigações apontam ainda que não houve acionamento do SAMU ou do Corpo de Bombeiros; os feridos foram levados por veículos particulares. Imagens de câmeras de segurança confirmam o socorro improvisado, segundo a investigação.

De acordo com a polícia, após o episódio houve tentativa de alteração do local: extintores de incêndio só foram instalados 23 dias depois, em 12 de agosto, levantando indícios de fraude processual, segundo a delegada do caso Liliane Lopes Doretto.

Os principais investigados são os dirigentes do espaço, Angélica Lopes Della Torre e Pedro Henrique, além de auxiliares. Eles são apontados por negligência e por terem assumido o risco da tragédia, caracterizando possível dolo eventual.

Até o momento, não houve prisões. A Polícia Civil informou que testemunhas já foram ouvidas, incluindo vizinhos do espaço e participantes da cerimônia. O inquérito está em andamento e as diligências prosseguem com oitivas, requisições de prontuários, análise de imagens e laudos periciais.

Em nota, a Polícia Civil destacou que a apuração não tem como alvo a fé ou a liberdade religiosa — direitos assegurados pela Constituição —, mas sim as condutas consideradas de risco que resultaram na morte e em múltiplas lesões.

A CNN tenta contato com o local e aguarda retorno. O espaço segue aberto.