Deolane Bezerra é presa em SP: veja chegada na delegacia

Influenciadora foi conduzida ao Palácio da Polícia em São Paulo durante a Operação Vérnix, que apura lavagem de dinheiro para a facção criminosa

Beto Souza, Bruno Teixeira, Vitor Bonets e Douglas Porto, da CNN Brasil, em São Paulo
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A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra chegou ao Palácio da Polícia Civil, no centro de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (21). Conduzida por agentes em uma viatura da corporação, a empresária foi alvo de um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito da Operação Vérnix.

O registro da chegada de Deolane no Palácio da Polícia foi marcado por tumulto devido à presença de uma legião de repórteres que aguardavam no local.

A influenciadora não deu declarações à imprensa enquanto era levada para o interior do prédio. Deolane havia retornado ao Brasil na véspera da operação, após passar duas semanas em Roma, na Itália, período em que seu nome chegou a ser incluído na difusão vermelha da Interpol.

A investigação, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), apura crimes de organização criminosa e lavagem de capitais vinculados à alta cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital).

O esquema financeiro e a ligação com o PCC

Segundo o Ministério Público, Deolane ocupa uma posição de destaque em uma "engrenagem financeira milionária" utilizada para ocultar e reintegrar à economia formal valores da facção criminosa.

As autoridades apontam que a influenciadora possuía vínculos pessoais e comerciais com gestores de uma transportadora em Presidente Venceslau, identificada como braço financeiro do grupo.

Além de Deolane, a operação mira familiares de Marcola, líder da organização, incluindo um irmão e dois sobrinhos do detento.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 327 milhões e o sequestro de 17 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Veja também: Investigação do Gaeco aponta ligação direta de Deolane Bezerra com PCC

A Operação Vérnix é o desdobramento de uma investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau que revelavam a dinâmica interna da facção.

Histórico de prisões e defesa

Esta é a segunda vez que a advogada é detida em operações policiais. Em setembro de 2024, ela foi presa em Pernambuco durante a Operação Integration, que investigava jogos ilegais e lavagem de dinheiro através de casas de apostas.

Na ocasião, ela foi solta após o Tribunal de Justiça considerar frágeis os indícios de materialidade delitiva naquelas investigações.

Sobre a nova prisão em São Paulo, a investigação ressalta que a projeção pública e a atividade empresarial de Deolane eram usadas como camadas de aparente legalidade para dificultar o rastreio de recursos ilícitos.

O espaço permanece aberto para manifestação da defesa da influenciadora e dos demais citados.

Outro lado

Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:

"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. 

Acusar é fácil. Difícil é provar.

No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.

Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.

Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."

Defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola

Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público.

É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a 'aquela mulher da transportadora', referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda.

A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco.
O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade.

As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais - relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes.

É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indicios e 'suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa.

Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judiciall definitivo.