Deolane Bezerra seria associada ao PCC desde 2022, diz Gakiya à CNN

Segundo o promotor, Deolane mantinha proximidade pessoal e íntima com a família de Marcola e de Alejandro Camacho (irmão do número 1 da facção)

Carolina Figueiredo e Julia Farias, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

O promotor do Gaeco de Presidente Prudente, Lincoln Gakiya, disse à CNN Brasil nesta quinta-feira (21) que a influenciadora e advogada Deolane Bezerra faz parte da arquitetura financeira do PCC (Primeiro Comando da Capital) desde 2022.

Gakiya, que participou do CNN 360 na tarde desta quinta, é responsável pela investigação que prendeu Deolane sob suspeita de participar de um esquema milionário de lavagem de dinheiro da facção. 

"Pelo menos desde 2022. Mas ela tem uma proximidade, amizade pessoal e íntima com a família do Marcola e irmão. De frequentar a casa, festas, presença dela em aniversários, viagens com a familia do Alejandro. também tinha proximidade com o Weverton (apontado como controlador financeiro das contas da família Camacho)", disse o promotor.

Além de Deolane, a Operação Vérnix, realizada nesta quinta pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, também conhecido como Marcola, principal liderança do PCC. Marcola já está preso há anos em penitenciária federal em Brasília, mas recebeu um mandado de prisão mesmo assim.

Segundo o promotor, Deolane mantinha proximidade pessoal e íntima com a família de Marcola e de Alejandro Camacho (irmão de Marcola), frequentando a casa e festas de familiares dos líderes da facção.

Esquema de lavagem

As investigações revelaram uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula da facção criminosa PCC.

Na ação desta quinta, foram cumpridos seis mandados de prisões preventivas: além de Deolane, e Marcola, também estão um irmão e dois sobrinhos do homem apontado como número 1 da facção, e um investigado que seria operador financeiro do esquema, identificado como Everton de Souza, vulgo "Player".

Em 2019, agentes da Polícia Penal apreenderam bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, que estavam com dois presos. Os conteúdos dos materiais revelaram algumas dinâmicas internas da facção, como atuação de lideranças encarceradas e possíveis ataques contra agentes públicos.

Veja: Investigação do Gaeco aponta ligação direta de Deolane Bezerra com PCC

Foram instaurados três inquéritos após a descoberta, buscando identificar todas as camadas e envolvidos no esquema. De acordo com as autoridades, o conteúdo desses bilhetes contava com ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos.

O que diz a defesa de Marcola

Bruno Ferullo, advogado que representa Marcola, apontou que é necessário relembrar que o processo ainda está na fase de inquérito policial, cujo período se baseia em "indicios" e "suspeitas". Para Bruno, as expressões têm um "peso probatório limitado e precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão".

Em frente ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), na tarde desta quinta, Ferullo destacou que ainda não teve acesso ao autos do processo e destacou que seria "praticamente impossível" que Marcola ainda comandasse a facção de dentro da prisão.

"Até porque, em uma Penitenciária Federal de Brasília, tudo o que é conversado com o Marco (com o advogado ou com a família) é monitorado por áudio e vídeo", pontuou.

Veja carros de Deolane apreendidos em operação contra o PCC:

Em nota, o advogado ainda informou que a fase do processo diz respeito ao momento em que os fatos devem ser "efetivamente apurados". Leia a nota na íntegra:

"Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público. É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a 'aquela mulher da transportadora', referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda. A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco. O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade. As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais - relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes. É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indicios e 'suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa. Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judiciall definitivo."

O que diz a família de Deolane

Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:

"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal.

Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social. Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."

Defesa Deolane Bezerra

A defesa de Deolane Bezerra divulgou uma nova nota na noite desta quinta-feira (21). 

Acompanhe o posicionamento completo:

“A defesa técnica da advogada Dra. Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos que resultaram em sua prisão preventiva na data de hoje, 21/05/2026. 

Inicialmente, ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta defesa em momento oportuno. 

Por ora, e com o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane, e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário.”