"Acusar é fácil, difícil é provar", diz irmã de Deolane após prisão

Daniele Bezerra afirma que influenciadora está sendo alvo de perseguição e critica exposição pública antes do avanço do processo

Carolina Figueiredo e Manuella Dal Mas, da CNN Brasil, em São Paulo
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A advogada e influenciadora Daniele Bezerra se pronunciou nas redes sociais nesta quinta-feira (21) após a prisão da irmã, Deolane Bezerra, durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Gaeco de Presidente Prudente e pela Polícia Civil de São Paulo.

Em publicação, Daniele criticou a condução do caso e afirmou que a prisão está baseada em alegações ainda não comprovadas. “Acusar é fácil. Difícil é provar”, escreveu.

No texto publicado, ela afirmou que tentativas estariam sendo feitas para transformar “suposições em verdades” e “manchetes em condenações” e disse que a prisão de Deolane teria ocorrido em meio a “ilações, narrativas e perseguições” que, segundo ela, se repetiriam ao longo do tempo.

Daniele também defendeu que pessoas investigadas não devem ser tratadas como culpadas antes da conclusão do devido processo legal.

“Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social”, afirmou.

Ao final do pronunciamento, a irmã da influenciadora declarou confiar na reversão das acusações e voltou a sustentar que há diferença entre fatos e narrativas construídas em torno do caso.

“Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa”, escreveu.

A manifestação ocorre horas após Deolane ser presa no âmbito da Operação Vérnix, investigação que apura supostos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. Segundo o inquérito, a influenciadora teria participação no chamado núcleo financeiro do esquema investigado.

As conclusões da apuração ainda serão submetidas ao contraditório e à análise do Judiciário. A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto.

Veja pronunciamento de Daniele Bezerra na íntegra

Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações.

A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.

Acusar é fácil. Difícil é provar.

No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública... para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave.

Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.

Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques.

Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.

Entenda o caso

A Operação Vérnix foi deflagrada nesta quinta-feira (21) pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público estadual para investigar supostos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais ligados à estrutura financeira atribuída ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo os investigadores, a apuração começou em 2019 após a apreensão de manuscritos com integrantes da facção na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material levou à descoberta de uma empresa de transportes que, conforme conclusão posterior reconhecida judicialmente, teria sido utilizada para ocultação e circulação de recursos ligados ao crime organizado.

As investigações avançaram com quebras de sigilo, análise de movimentações financeiras e perícia em um celular apreendido em fase anterior da operação. A partir desse material, Polícia Civil e Ministério Público afirmam ter identificado uma rede de pessoas responsáveis por administrar patrimônio, repassar recursos e inserir valores investigados na economia formal.

Com base no conjunto de elementos reunidos, a Justiça autorizou prisões preventivas, bloqueios patrimoniais, buscas e medidas cautelares contra os investigados. Entre os alvos estão a influenciadora Deolane Bezerra, familiares de Marcos Willians Herbas Camacho e pessoas apontadas como integrantes do núcleo financeiro investigado.

As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo judicial, com garantia de contraditório e ampla defesa aos investigados.