Em investigação contra dono da Ultrafarma, MP apreende R$ 1,8 mi em bitcoin

Ação é desdobramento da Operação Ícaro, realizada em agosto de 2025, que prendeu Sidney Oliveira

Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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Uma operação realizada pelo Ministério Público de São Paulo, nesta quarta-feira (11), apreendeu mais de R$ 600 mil e R$ 1,8 milhão em bitcoins, ligados a um esquema de corrupção na Delegacia Regional Tributária do Butantã, na zona Oeste da capital paulista.

A ação do Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) integra o desdobramento da Operação Ícaro, realizada em 12 de agosto de 2025, quando o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, foi preso. No último dia 5 de fevereiro, o empresário foi denunciado por corrupção ativa no suposto esquema de fraudes de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Apesar da denúncia, as autoridades ainda investigam a existência de um esquema de pagamento de propina por parte de empresas, em troca de facilidades no ressarcimento de créditos fiscais de ICMS-ST, com prejuízo aos cofres públicos.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram apreendidos cerca de US$ 68 mil (R$ 352 mil na cotação atual) e R$ 288 mil em espécie. Além disso, houve a apreensão de R$ 1,8 milhão mantido na forma da criptomoeda.

As ordens judiciais nesta quarta foram cumpridas com o apoio do Cyber Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Polícia Militar paulista. O material apreendido será submetido à perícia e análise financeira para esclarecer a origem e eventual vinculação com os fatos investigados.

Denúncia por corrupção ativa

Segundo o Ministério Público de São Paulo, Sidney Oliveira teria participado do pagamento de vantagens indevidas a servidores da Secretaria da Fazenda do Estado para garantir a liberação de benefícios tributários à Ultrafarma.

Segundo a denúncia, a atuação tinha como objetivo garantir o ressarcimento de créditos de ICMS-ST e permitir que os valores fossem posteriormente revendidos. A peça apresentada pelo MP afirma que “por diversas vezes, ofereceram e prometeram vantagem pecuniária indevida aos funcionários públicos (…) para que eles infringissem dever funcional, auxiliando a ULTRAFARMA a obter o ressarcimento de créditos de ICMS-ST”.

Portanto, o Ministério Público pede a condenação do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto por corrupção passiva. Ele é apontado pelos investigadores como o responsável por conceder as vantagens solicitadas por Oliveira.

O MP afirma ter identificado, apenas em 2024, 174 e-mails na caixa de mensagens do auditor tratando de benefícios fiscais concedidos à farmacêutica. As mensagens, segundo o órgão, reforçariam a existência de um fluxo contínuo de solicitações e concessões ligadas ao esquema.

As investigações indicam ainda que o esquema teria rendido mais de R$ 1 bilhão em propina ao auditor. A operação foi deflagrada pelo GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos), braço do Ministério Público responsável por apurações envolvendo crimes financeiros e fiscais.

O objetivo da ofensiva é desarticular um grupo criminoso que, segundo o MP, favorecia empresas do varejo por meio de vantagens tributárias indevidas. Os investigadores apontam que o caso da Ultrafarma seria um dos núcleos da operação. Até o momento, as defesas dos envolvidos não se manifestaram.