Entenda como Marcola recebeu novo mandado de prisão mesmo já estando preso

Líder do PCC já cumpre pena em penitenciária federal, mas investigação sobre lavagem de dinheiro levou Justiça a decretar nova prisão preventiva

Carolina Figueiredo, Elijonas Maia e Manuella Dal Mas, da CNN Brasil, em São Paulo e em Brasília
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Entre os nomes alcançados pela Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21) pelo Gaeco de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil de São Paulo, está o de Marcos Willians Herbas Camacho, apontado pelas autoridades como principal liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital).

O caso chamou ainda mais atenção porque Marcola já está preso há anos, atualmente no sistema penitenciário federal, mas recebeu um mandado de prisão mesmo assim.

A explicação está no funcionamento do processo penal brasileiro. Estar preso por um caso não impede que a pessoa continue sendo investigada por outros fatos. Se surgirem indícios de participação em um novo crime e forem preenchidos os requisitos legais, a Justiça pode decretar outra prisão preventiva ou expedir uma nova ordem judicial vinculada a uma investigação diferente.

 

Na prática, não significa que a pessoa será retirada da cela para ser “presa novamente”. O novo mandado passa a existir juridicamente de forma autônoma e produz efeitos dentro daquele processo específico.

Por isso, os novos mandados têm três consequências principais: vinculam formalmente o investigado ao novo procedimento, impedem que eventual soltura em uma ação resulte automaticamente em liberdade e garantem a continuidade de medidas cautelares relacionadas ao novo caso, como bloqueios patrimoniais, buscas e outras restrições. Também existe um efeito futuro: se houver condenação nesse novo processo, a decisão poderá gerar novas penas e repercussões jurídicas independentes da condenação anterior.

O que é prisão preventiva

No caso da Operação Vérnix, as medidas decretadas são prisões preventivas.

Prevista no Código de Processo Penal, a prisão preventiva é uma medida cautelar aplicada antes de condenação definitiva. Para autorizá-la, o juiz precisa apontar fundamentos previstos em lei, como risco à ordem pública, possibilidade de continuidade criminosa, interferência na investigação ou risco de fuga.

Ela não representa condenação nem significa reconhecimento definitivo de culpa.

O que a investigação diz sobre Marcola

Segundo inquérito, que fundamenta a operação, a cúpula do PCC teria mantido influência sobre uma estrutura financeira investigada mesmo com lideranças já recolhidas ao sistema federal.

A investigação afirma que mensagens encontradas em aparelho celular apreendido indicariam que decisões estratégicas, divisão de lucros e direcionamentos econômicos continuariam sendo transmitidos para pessoas fora do sistema prisional por intermédio de familiares e pessoas de confiança.

Segundo o relatório policial, Marcola apareceria como responsável por definir providências e orientar a distribuição dos resultados atribuídos ao esquema investigado. A apuração também aponta participação de familiares e operadores financeiros na execução das medidas fora da prisão.

Entre os nomes citados estão o irmão de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, além do operador financeiro Everton de Souza, conhecido como “Player”.

A situação de Alejandro Camacho, inclusive, é semelhante à de Marcola: embora já estivesse custodiado no sistema penitenciário federal, ele também foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva em razão da investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro.

No mesmo inquérito aparece ainda o nome da influenciadora Deolane Bezerra, apontada pelos investigadores como integrante do núcleo financeiro do esquema investigado. As conclusões da polícia e do Ministério Público ainda serão submetidas ao contraditório e à análise do Judiciário, sem antecipação de culpa dos investigados.

Outro lado

Irmã de Deolane

Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:

"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. 

Acusar é fácil. Difícil é provar.

No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.

Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.

Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."

Defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola

Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público.

É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a 'aquela mulher da transportadora', referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda.

A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco.
O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade.

As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais - relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes.

É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indicios e 'suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa.

Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judiciall definitivo.

A defesa de integrantes da família de Marcola também emitiu um comunicado. Veja abaixo:

"A defesa de Paloma Sanches Herbas Camacho Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, representada pelo advogado Bruno Ferullo, vem a pública manifestar-se sobre a Operação Vernix, deflagrada em 21 de maio de 2026 pelo GAECO de Presidente Prudente.

Esclarecemos que o deferimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade. O caso encontra-se na fase de inquérito policial, etapa preliminar baseada em indicios sujeitos ao contraditório, e a inocencia de nossos clientes será plenamente comprovada ao longo do processo.

Solicitamos à imprensa e á sociedade o respeito à presunção de inocencia, direito fundamental garantido pela Constituição Federal, abstendo-se de conclusões precipitadas antes de qualquer pronunciamento judicial definitivo."

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.