Entenda operação que prendeu Deolane Bezerra e mira Marcola e família
Investigação aponta suposto esquema de lavagem de dinheiro com conexões atribuídas pela polícia à estrutura financeira do PCC
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada pelo Gaeco do MPSP (Ministério Público de São Paulo), com apoio da Polícia Civil de São Paulo.
A investigação apura supostos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais ligados, segundo os investigadores, à estrutura financeira atribuída à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo apurado pela CNN Brasil, os alvos de mandado de prisão incluem Deolane Bezerra, uma pessoa identificada como Everton de Souza (vulgo Player, que seria operador financeiro), o irmão do Marcola, Alejandro Camacho, dois sobrinhos dele, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, além do próprio Marcola.
Como tudo começou
De acordo com as autoridades, a operação é resultado de uma investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
O material teria revelado informações sobre a dinâmica interna da facção, contatos entre integrantes e possíveis planos contra agentes públicos, levando à abertura de sucessivos inquéritos policiais.
A primeira fase concentrou-se nos detentos encontrados com os documentos. Segundo o material investigativo, a análise dos manuscritos indicou referências a lideranças da organização criminosa e trouxe menções a uma figura descrita como “mulher da transportadora”, que teria auxiliado no levantamento de informações sobre servidores públicos.
Os condenados foram posteriormente encaminhados ao sistema penitenciário federal.
Família de Marcola e Deolane
A partir dessa referência, foi instaurado um segundo inquérito que chegou a uma empresa de transportes sediada em Presidente Venceslau. Conforme a investigação, o negócio teria sido utilizado como instrumento para ocultação patrimonial e circulação de recursos ilícitos.
Essa etapa deu origem à Operação Lado a Lado, que identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis e crescimento patrimonial sem justificativa econômica suficiente.
Durante o cumprimento das medidas dessa operação anterior, investigadores apreenderam um celular que, segundo a polícia, revelou conversas com familiares do PCC, além de registros financeiros e conexões com Deolane Bezerra. A partir desse material, nasceu a Operação Vérnix.
Influenciadora acusada de integrar facção criminosa
De acordo com as informações, Deolane passou a integrar o foco da investigação por movimentações financeiras consideradas expressivas, supostas incompatibilidades patrimoniais e vínculos pessoais e empresariais identificados com pessoas investigadas no caso.
Os investigadores afirmam ter encontrado indícios de uso de empresas, recebimentos sem origem esclarecida e circulação de valores milionários.
Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. Segundo fontes do MPSP, o nome da influenciadora chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas como ela retornou ao Brasil nesta quarta-feira (20), a prisão ocorreu em solo brasileiro.
Medidas judiciais
Com autorização judicial, foram decretadas seis prisões preventivas, além do bloqueio de mais de R$ 327 milhões em valores, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo e de quatro imóveis vinculados aos investigados.
A operação também teve desdobramento internacional, com pedido de inclusão de três investigados na difusão vermelha da Interpol após informações de que estariam na Itália, Espanha e Bolívia.
Objetivos da operação
Para os investigadores, o objetivo da operação é atingir o patrimônio e interromper fluxos financeiros que possam sustentar atividades criminosas. Já a responsabilização dos investigados dependerá do andamento das investigações e das decisões do Poder Judiciário.
Até o momento, todas as alegações integram a investigação e deverão ser analisadas no curso do processo judicial, respeitando-se o contraditório e a ampla defesa.
Outro lado
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."
Defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola
Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público.
É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a 'aquela mulher da transportadora', referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda.
A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco.
O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade.
As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais - relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes.
É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indicios e 'suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa.
Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judiciall definitivo.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.

