Estudante de medicina morto por PMs recebe diploma póstumo em SP

Documento foi entregue durante cerimônia de colação de grau da turma de Marco Aurélio; pai definiu como "um sonho lindo dentro do pesadelo"

Khauan Wood, da CNN Brasil*, em São Paulo
Compartilhar matéria

Marco Aurélio Cardenas Acosta, estudante de medicina morto por policiais militares em novembro de 2024, recebeu um diploma póstumo de formação da faculdade em que estudava.

O documento foi entregue ao pai, Júlio César Navarro, durante o evento da Colação de Grau, realizado no Edifício Bunkyo, na capital paulista, na última quinta-feira (27).

O pai do estudante definiu o momento como "um sonho lindo dentro de uma vida de pesadelo".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O celebrante da cerimônia afirmou que espera que o estudante continue a inspirar cada novo passo de seus colegas.

Veja o momento da entrega:

Em outubro de 2025, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou o pedido de prisão preventiva dos policiais militares que mataram o estudante.

A decisão expedida no dia 21, é da juíza Luciana Menezes Scorza e acata uma manifestação do promotor Estefano Kvastek Kummer do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo).

A defesa de Marco Aurélio, através de seu pai Júlio César Acosta Navarro, havia protocolado o pedido de prisão no último dia 15 de outubro. Nele, os advogados argumentam que há contradições nos depoimentos dos réus, que eles classificam como “absolutas”.

Estudante é morto por policial militar dentro de hotel na Vila Mariana, em SP

Além disso, a defesa argumentou que os agentes têm alto grau de periculosidade para a prisão. Os réus são os policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado.

Os advogados solicitaram, ainda, o uso de tornozeleira eletrônica e o afastamento imediato dos réus de suas funções.

Na manifestação do MPSP, o promotor se manifestou contrário aos pedidos e disse que o afastamento dos policiais cabe apenas ao superior hierárquico e não a qualquer outra instituição.

Além disso, entendeu que o uso do monitoramento eletrônico é descabido, já que, para ele, a prisão não é cabível.

Em sua decisão, a juíza acatou todos os argumentos da promotoria e negou o pedido de prisão.

Ela entendeu que não há fato novo para a decretação da reclusão dos réus. Além disso, concordou com o MPSP, no entendimento de que o uso da tornozeleira não é válido e que o afastamento dos PMs depende de seus superiores.

Estudante morto: imagens de câmeras corporais desmentem versão de policiais

Em entrevista à CNN Brasil, o pai da vítima classificou a decisão da juíza como vergonhosa. Ele diz que os policiais conseguiram se safar da justiça “de uma maneira incrível”.

Júlio César divulgou, ainda, uma carta de repúdio contra a decisão da juíza. No documento, o pai afirma que a juíza escolheu um lado ao tomar suas decisões e que a atitude do promotor é vergonhosa.

Relembre o caso

O estudante de medicina morreu em 20 de novembro de 2024, após ser baleado por um policial militar em um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

De acordo com o boletim de ocorrência obtido pela CNN, os policiais atenderam uma chamada no local e relataram que Marco Aurélio, conhecido como "Bilau", estava "bastante alterado, agressivo, e resistiu à abordagem policial, entrando em vias de fato com a equipe".

Durante o confronto, ele teria tentado pegar a arma de um dos policiais. O soldado, então, disparou contra o estudante.

Marco Aurélio foi socorrido e encaminhado ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo o B.O. (Boletim de Ocorrência), todos os policiais militares portavam câmeras corporais.

O caso foi registrado como homicídio decorrente de intervenção policial. A pistola usada no disparo, uma Glock calibre.40, foi apreendida, e o local passou por perícia.

*Sob supervisão de Tonny Aranha