Trump volta a usar antigo Air Force One antes de embarcar em avião do Catar

Mudança inesperada levantou dúvidas sobre segurança de nova aeronave Boeing 747

Mike Stone, da Reuters
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a Turquia inesperadamente nesta quarta-feira (8) a bordo de um Air Force One mais antigo, em vez de utilizar o jato recém-reformado doado pelo Catar. No entanto, ele trocou de avião durante uma parada no Reino Unido e embarcou na nova aeronave no voo rumo a Washington.

A troca inesperada de aeronave ocorreu após meses de questionamentos sobre o presente de luxo, destinado a servir como substituto temporário enquanto a Boeing enfrentava dificuldades para entregar as aeronaves Air Force One de nova geração, que sofriam com longos atrasos.

Críticos questionaram o custo, a segurança e o ritmo da reforma da aeronave.

Mais cedo, Trump afirmou na rede social Truth Social que usaria um Air Force One mais antigo — com a clássica pintura em azul-claro — "por saudosismo" para voar de Ancara até a base da RAF em Mildenhall, no Reino Unido, enquanto a nova aeronave faria uma parada na mesma base para que militares americanos pudessem conhecer a aeronave.

Um vídeo gravado no final desta quarta mostrou Trump embarcando no novo Air Force One, doado pelo Catar, na base britânica, enquanto a aeronave se preparava para decolar rumo aos EUA.

A ida à Turquia foi a primeira viagem internacional de Trump no novo avião.

 

A nova aeronave é um Boeing 747 doado aos Estados Unidos pelo Catar no ano passado e reformado pela empresa de defesa L3Harris Technologies.

A aeronave jumbo foi pintada nas cores vermelho, branco, azul escuro e dourado, escolhidas por Trump, marcando uma mudança em relação ao design tradicional usado no Air Force One há décadas.

A aceitação do jato do Catar gerou questionamentos. A adaptação do avião de luxo exigiu atualizações de segurança, melhorias nas comunicações para impedir escutas clandestinas e recursos de defesa antimísseis, segundo especialistas.

Parlamentares democratas estimaram que a conversão custou mais de US$1 bilhão e aumentou os riscos de segurança. As atualizações foram concluídas tão rapidamente que alguns especialistas expressaram preocupação de que a aeronave possa não ser tão segura quanto a atual aeronave do Air Force One.

Uma segunda aeronave capaz de operar como Air Force One fica sempre de prontidão durante as viagens presidenciais.

O esforço acelerado da Força Aérea dos EUA para preparar o jato pulou algumas modificações planejadas originalmente para a aeronave presidencial de próxima geração, a fim de entregar uma versão provisória mais cedo.

Autoridades afirmaram que a aeronave ainda atende aos padrões presidenciais, com o secretário da Força Aérea, Troy Meink, declarando que a instituição “avaliou meticulosamente todos os requisitos” enquanto trabalhava para acelerar a entrega.

O jato do Catar está servindo como aeronave de transição enquanto a Boeing trabalha para entregar dois 747-8 construídos especificamente para esse fim, sob um contrato de preço fixo de US$3,9 bilhões assinado em 2018.

Esse programa está agora com quatro anos de atraso, e a entrega não é esperada antes de meados de 2028 -- um atraso que poderia deixar Trump sem uma nova aeronave fabricada nos EUA antes do fim de seu mandato, em janeiro de 2029.

Os custos do programa da Boeing cresceram para mais de US$5 bilhões, com a empresa registrando bilhões de dólares em despesas relacionadas ao projeto.