Ex-auditor fiscal acusado de fraude bilionária no ICMS é preso em SP
Artur Gomes da Silva Neto, apontado como líder de esquema bilionário de corrupção, foi detido e passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (11)

O ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, descrito como a figura central e "cérebro" do esquema bilionário de corrupção contra a Administração Pública e lavagem de capitais, foi preso novamente e passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (11), em São Paulo.
A CNN Brasil apurou que a prisão ocorreu na casa do ex-auditor, na manhã de quarta-feira (10). Ele estava na residência acompanhando de um garoto de programa, com quem manteve relações.
O garoto de programa também tinha funções no esquema criminoso. Segundo as investigações, Artur usava ele para lavar dinheiro, presentando com carros e mesada. Sem celular, o ex-auditor usava o celular do garoto de programa para se comunicar com outros investigados.
Artur é apontado pelo Ministério Público como articulador central de uma organização criminosa "complexa e de alta potencialidade lesiva", voltada à fraudulenta aprovação de créditos de ICMS junto à SEFAZ-SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo), no contexto da "Operação Ícaro", deflagrada em 2025.
Segundo levantamento preliminar do Ministério Público realizado desde o início das investigações, o esquema criminoso atribuído ao ex-auditor já provocou prejuízos bilionários aos cofres públicos.
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo já lavrou cerca de 1.200 autos de infração contra empresas investigadas, totalizando aproximadamente R$ 5,7 bilhões em débitos. Além disso, as apurações identificaram um prejuízo estimado em R$ 1,74 bilhão na esfera federal.
De acordo com a denúncia, a principal prática do grupo se dava por meio da aprovação fraudulenta de créditos de ICMS junto à Sefaz, mantendo um esquema de corrupção passiva qualificada e sistemática.
A investigação indica, ainda, um prejuízo bilionário ao erário (conjunto de bens pertencentes ao Estado). Documentos anexados pela acusação mostram quantias expressivas, como R$ 63.692.616,64 e R$ 6.607.573,92 em outro processo.
Artur seria, supostamente, o proprietário de 277 bitcoins, avaliados em aproximadamente R$ 100.263.216,13, valor este que nunca foi declarado às autoridades fiscais.
Segundo o Tribunal de Justiça, o caso, que está sob segredo de justiça, trata-se de um cumprimento de mandado de prisão. Após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva.
Novos mandados e investigações
Artur havia sido solto no último dia 2 de junho, quando o alvará de soltura foi cumprido. No entanto, antes mesmo da liberação, o Gedec (Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos) do Ministério Público já havia protocolado dois novos pedidos de prisão preventiva, concedidos pela Justiça no dia 3 de junho
Ainda segundo apuração da CNN Brasil, Artur é réu em sete ações penais e deve responder por outras três denúncias que devem ser apresentadas pelo Ministério Público. Ele é investigado por mais de 130 crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.
Cartas, criptomoedas e mensagens criptografadas
Durante o cumprimento dos mandados, investigadores apreenderam seis sacos de documentos, um notebook, cerca de R$ 10 mil em espécie e cartas manuscritas que, segundo a investigação, seriam destinadas a outros denunciados do núcleo técnico do esquema, formado por auditores fiscais.
De acordo com fontes ligadas ao caso, o conteúdo das cartas tinha como objetivo alinhar versões de defesa e dificultar o andamento das investigações. Frases como “não confie no MP” e orientações para não fechar acordos de delação teriam sido encontradas nos manuscritos.
"Eles são criminosos profissionais. Usavam serviço de e-mail com servidor na Suiça para se comunicar com mensagens criptografadas e muito difícil de serem identificadas", afirma uma fonte ligada ao caso.
Além disso, os agentes localizaram anotações relacionadas ao uso de criptomoedas para lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, Artur mantinha cerca de 277 bitcoins, avaliados em mais de R$ 100 milhões.
Esquema bilionário
Responsável por um esquema de corrupção que movimentou mais de R$ 1 Bilhão em pagamento de propina, o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto mantinha contato direto com o fundador e dono da Ultrafarma, o empresário Sidney Oliveira, e com o diretor estatuário da rede Fast Shop, Mário Otávio Gomes, segundo a investigação do Ministério Público de São Paulo.
O MP teve acesso a trocas de e-mails entre Arthur e o empresário Sidney Oliveira, da Ultrafarma, e também entre o auditor fiscal e Mário Otávio Gomes, da Fast Shop. Segundo os promotores, as conversas mostram negociações e trocas de informações para facilitar o esquema de corrupção.
As investigações apontam que o fiscal recebia propina para manipular processos administrativos e facilitar com que empresas obtivessem créditos tributários.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa do ex-auditor fiscal. O espaço segue aberto.


