Grupo familiar falsificou bebida que matou duas pessoas em SP, diz polícia

Dois postos de combustível venderam etanol adulterado com metanol para fábrica clandestina; presa não demonstrou arrependimento

Guilherme Gama, da CNN Brasil, em São Paulo
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Vanessa Maria da Silva é o centro de um núcleo familiar responsável pela fabricação clandestina de bebidas alcoólicas que levaram a pelo menos duas mortes em São Paulo, de acordo com a Polícia Civil.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17), o delegado-geral Artur Dian afirmou que pai, marido e cunhado da investigada fazem parte do grupo criminoso.

A mulher foi presa na última sexta-feira (10), em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista, em operação que rastreou a origem da bebida destilada que dois homens consumiram no Bar Torres, na Mooca, zona Leste de São Paulo — eles foram as duas primeiras vítimas fatais da onda de intoxicação no estado.

Um homem que foi intoxicado com metanol após consumir bebida alcoólica no bairro Planalto Paulista é a terceira vítima direta da associação criminosa. O homem está em uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) em estado grave e apresenta  quadro de cegueira, que é um dos sintomas da ingestão de metanol.

 

 

Dois postos de combustíveis de redes diferentes em São Bernardo do Campo (SP) e Santo André (SP) foram alvos de mandando de busca nesta sexta-feira (17). Os estabelecimentos foram alvos da fiscalização por apresentar transações financeiras com o grupo criminoso — ambos vendiam etanol adulterado com metanol nas bombas.

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Um garrafeiro, responsável pela compra e venda de garrafas usadas na falsificação das bebidas, mora próximo a um dos estabelecimentos e foi identificado. O irmão desse homem também participa da associação, de acordo com a polícia.

A última transação de compra do etanol, monitorada pela polícia, é de 30 de setembro. Na data, São Paulo já registrava casos de intoxicação por metanol.

De acordo com a polícia, a mulher apontada como responsável pela fábrica clandestina não demonstrou arrependido, mesmo em meio às mortes. “Fria e não mostra arrependimento”, disse o delegado-geral.

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