Henry Borel: ex-namorada de Jairinho relata episódios de violência do réu

Debora Saraiva disse que alertou Monique, mãe de Henry, que Jairinho a agredia, perseguia e poderia fazer o mesmo com ela

Julia Naspolini, da CNN Brasil*, Camille Barbosa, da CNN Brasil, São Paulo
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O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro ouviu, nesta quinta-feira (28), o depoimento de uma ex-namorada de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Debora Saraiva relatou ter sofrido violência doméstica, abuso sexual e perseguição.

Ela ainda contou que o ex-vereador teria agredido seu filho. "Ia me tocar onde mais doía", afirmou a testemunha. Debora diz sentir medo e raiva do ex-companheiro.

A sessão marca o quarto dia do julgamento sobre a morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.

Detalhes do depoimento e comportamento do réu

Segundo Debora, eles se conheceram em 2014, quando ela era uma assessora parlamentar de uma vereadora. O casal tinha idas e vindas, e ao todo ficou junto durante seis anos.

Depois do término, Débora disse que manteve contato com ele até 2021, e que chegou a conversar algumas vezes por mensagem com Monique. Ela teria alertado a mãe de Henry sobre agressões que sofreu e que poderiam acontecer com ela também. 

No depoimento, a ex-namorada de Jairo relatou ser dopada e abusada por ele. O ex-vereador teria forçado relações sexuais com ela desacordada.

Enquanto ela estava dopada, ele teria deixado seus filhos, uma menina e um menino, brincando sozinhos no varanda do prédio, que não tinha proteção - segundo seu depoimento.

Em seu testemunho, Débora contou de um surto de ciúme, seguido de agressão contra ela, na casa de Mangaratiba. Jairo teria pedido para ver o celular dela, e quando ela não deixou, ele a levou para fora da casa, a arrastou e de três mordidas em sua cabeça. 

Sobre agressões contra seus filhos, ela afirmou que o ex-vereador agrediu seu menino, mas a filha, não. Débora descobriu as violações após a morte de Henry, em um dia que seu filho viu uma foto deles no jornal e contou o que aconteceu com ele.

Em meio de muito choro, ela disse que ele explicou mais sobre as agressões durante um atendimento com psiquiatra, mas depois não conseguiu mais falar. Ela ainda acrescentou que o testemunho de seu filho, bate com o histórico de violência que Henry sofreu.

Débora ainda relatou sobre um episódio de agressão contra Henry, em que sua filha estava junto. Ela afirma não ter visto nada, que tinha sido dopada.

Neste dia, Jairo teria colocado papel e pano na boca e pisado na barriga do menino, de apenas dois anos.

No dia da morte do Henry, Jairo teria mandado mensagem, às 1h, para Debora, dizendo "pelo amor de Deus". Ela não entendeu o sentido da mensagem, mas conta que, por volta de 11h30, ele voltou a falar com ela, puxando uma conversa aleatória - sem comentar do óbito do menino.

Débora só soube que Henry tinha morrido depois de ser noticiado pela imprensa. Logo depois, ela foi chamada para depor na delegacia.

Veja também: Mãe e padrasto de Henry Borel voltam a ser julgados por morte de menino

Relembre o caso

Com apenas 4 anos de idade, Henry Borel foi morto no dia 8 de março de 2021. O laudo do IML (Instituto Médico-Legal) identificou 23 lesões no corpo da criança, descartando a hipótese de acidente doméstico sustentada pelos réus na época.