Justiça de SP nega liberdade de presos por morte de jovem em rope jump

Magistrado entendeu que não há ilegalidade na prisão de dois dos três instrutores e citou a tentativa de evasão do local do fato por eles

Bruna Lopes, da CNN Brasil*, Yuri Cavalieri, da Itatiaia, em São Paulo
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A Justiça de São Paulo negou, nesta quinta-feira (18), o pedido de liberdade de dois dos três instrutores presos pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues, morta após ser lançada sem corda durante a realização de uma atividade de rope jump no último sábado (13), em Limeira, no interior paulista.

O pedido de habeas corpus era em nome de Luis Felipe Feliciano Egoroff e Maicon Fernandes Cintra. O terceiro preso, Vitor de Freitas Gonçalves, não está incluído neste pedido.

De acordo com a decisão, a negativa do pedido de habeas corpus dos instrutores se deu, principalmente, pela ausência de ilegalidade na decisão que decretou a prisão preventiva deles.

Além disso, o magistrado citou a tentativa de fuga dos instrutores do local do fato, a troca de roupas e a notícia do desaparecimento de câmeras de gravação que poderiam conter registros do ocorrido.

Segundo o documento, a liberdade dos investigados implica risco à ordem pública por reiteração infracional.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos réus e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Leia também: Morte em salto de rope jump em SP: veja o que disseram instrutores presos

"Não lembro o que aconteceu", disse instrutor

Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves apresentaram suas versões à Polícia Civil de São Paulo e foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual, após a vítima ser arremessada da estrutura sem a corda de segurança.

Posteriormente, a Justiça decretou a prisão preventiva dos três em audiência de custódia.

Durante depoimento à polícia, o instrutor Luis Felipe Egoroff afirmou não se lembrar do ocorrido. "Passei lá para frente primeiro, aí depois disso já apagou da mente, eu não lembro".

Quando questionado se conseguia se recordar de quem era o responsável por fazer a fiscalização antes do salto, ele respondeu negativamente.

Outro instrutor, Vitor de Freitas Gonçalves, declarou ainda que acredita ter sido "realmente uma fatalidade que aconteceu", acrescentando que "ninguém sai de casa para cometer um negócio desse".

A dinâmica do acidente

A investigação aponta que Maria Eduarda realizaria o primeiro salto da modalidade "aviãozinho" do dia, na qual o praticante é erguido e lançado pelos instrutores.

Registros audiovisuais entregues por testemunhas confirmam que a jovem foi lançada em queda livre de uma altura de aproximadamente 30 metros, sem qualquer conexão com o sistema de cordas.

A delegada responsável pelo caso considerou que os envolvidos assumiram o risco de produzir a morte ao não adotarem cautelas indispensáveis em uma atividade de alto risco.

A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, fundamentada na periculosidade da conduta e na necessidade de garantir a ordem pública.

O caso segue sob investigação da Delegacia Seccional de Limeira.

Outro lado: o que dizem as defesas

Defesa de Vitor de Freitas

Veja nota na íntegra:

Os advogados Jader Gilberto Martins dos Santos (OAB/RS 84.144) e Olga Thaynan Pereira Popoviche (OAB/RS 116.619) informam que foram constituídos, na data de hoje, para atuar na defesa técnica de Vitor de Freitas Gonçalves, investigado em procedimento relacionado aos fatos ocorridos em 13 de junho de 2026, durante atividade de rope jump realizada na região de Limeira/SP, que culminou no falecimento da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas.

Neste primeiro momento, a defesa registra seu profundo respeito à memória da vítima e manifesta solidariedade aos seus familiares e amigos.

A defesa esclarece que acaba de assumir o patrocínio da causa e que, até o presente momento, ainda não teve acesso integral aos autos do procedimento investigatório, circunstância que impede qualquer manifestação responsável acerca dos elementos de informação já produzidos.

Também é importante esclarecer que as investigações ainda se encontram em andamento, não havendo, até o presente momento, conclusão do inquérito policial nem oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.

A atuação da defesa será pautada pela observância do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência, garantias constitucionais indispensáveis ao Estado Democrático de Direito.

Por cautela e responsabilidade profissional, a defesa não fará comentários acerca do mérito dos fatos investigados neste momento, reservando-se ao exame aprofundado dos autos tão logo seja disponibilizado acesso integral ao conteúdo da investigação.

Eventuais manifestações futuras serão realizadas de forma técnica, responsável e compatível com o estágio do procedimento.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos outros citados para um posicionamento. O espaço segue aberto.