Justiça nega pedido de prisão do acusado de atropelar tio de Boulos em SP
Medidas cautelares terão que ser cumpridas por Amilton Jusselino, que responde pelo homicídio doloso qualificado de Carlos Boulos; idoso foi atropelado em 3 de outubro e morreu três dias depois

O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou um pedido de prisão preventiva de Amilton Jusselino, motorista acusado de atropelar um tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos (PSOL), após uma discussão de trânsito na avenida 23 de Maio, na capital paulista, em 3 de outubro.
Carlos Boulos chegou a ser socorrido e ficou internado, mas morreu no dia 6 de outubro.
O pedido de prisão havia sido protocolado pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) sob o argumento de que o condutor fugiu da cena do crime e responde por tentativa de homicídio qualificado — quando há intenção ou se assume o risco de matar e por motivo fútil.
A decisão foi expedida nesta terça-feira (20) pelo juiz Daniel de Medeiros Silva Corrô, que entendeu que medidas cautelares alternativas e a suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) do réu eram suficientes para o andamento do caso.
Amilton fica proibido de mudar de residência e se ausentar por mais de oito dias sem autorização judicial, e terá que comparecer mensalmente na Justiça para justificar suas atividades e comprovar o seu endereço.
De acordo com o juiz, o acusado se aprensentou às autoridades após o ocorrido e não representa risco para as investigações.
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) afirmou que se manifestou favoravelmente ao pedido de decreto da prisão preventiva.
Porém, o Tribunal de Justiça indeferiu o pedido de prisão preventiva porque entendeu inexistir risco gerado pelo estado de liberdade do acusado, em outras palavras, a liberdade do réu não gera risco.
Relembre o caso
O caso ocorreu na noite do dia 3 de outubro na avenida 23 de maio, zona Sul da capital paulista. Segundo investigações, Amilton teria parado o seu carro em meio ao trânsito após uma batida contra o carro do dentista Carlos Boulos.
Na ocasião, o tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, desceu do seu veículo e foi atingido pelo acusado. Na sequência, Amilton deixou o local.
Veja o acontecimento:
Carlos chegou a ser socorrido e ficou internado em estado grave no hospital por três dias, mas não resistiu e o morreu no dia 6 de outubro.
Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), Amilton foi identificado por conta da placa do veículo que dirigia e foi encaminhado à delegacia para prestar depoimentos ainda no mesmo dia.
No entanto, a prisão em flagrante não ocorreu devido à restrição de prisão descrita no artigo 236 do Código Eleitoral, que impede prisão de eleitores no período de cinco dias antes e até 48 horas depois do encerramento da eleição, exceto em flagrante delito, sentença condenatória por crime inafiançável ou desrespeito a salvo-conduto expedido pela Justiça Eleitoral.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

