Reservatórios de SP ficam abaixo de 30% pela primeira vez em 10 anos

Volume dos mananciais da Região Metropolitana da capital paulista está a menos de 10% do estado crítico

Guilherme Gama e Daniel Morales, da CNN Brasil, em São Paulo
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Pela primeira vez em 10 anos, o volume dos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo ficou abaixo de 30%. A marca foi atingida na manhã desta terça-feira (7), com o sistema registrando 29,9%. Com isso, os reservatórios saíram do estado de alerta para o estado de restrição.

O Sistema Integrado Metropolitano registra agora o menor índice do ano, resultado da falta de chuvas e do aumento no consumo. Especialistas alertam para o risco de racionamento caso o cenário continue nas próximas semanas.

O volume está a menos de 10% de sair do estado de restrição para o estado "especial", conhecido como crítico, registrado pela última vez na crise hídrica que afetou o estado em 2015. Os dados são da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

Desde fevereiro, o volume de água armazenado tem diminuído pela falta de chuvas na região e manutenção do consumo de água nas cidades.

Normalmente, chuvas são aguardadas para o mês de outubro, mas os dados do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergência) da prefeitura de São Paulo mostram que outubro registrou, até o momento, apenas 0,3 milímetros de chuva, o que corresponde a aproximadamente 0,3% dos 112,2 mm esperados.

Em nota à CNN, a Sabesp disse que a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo) deve determinar novas medidas para combater a escassez hidríca, e que essas serão seguidas pela empresa.

A passagem de uma frente fria, nesta semana, deve causar uma grande virada no tempo trazendo chuva e frio para várias áreas do estado de São Paulo, segundo a previsão da Climatempo.

Menor nível em 10 anos

Em 14 de agosto desse ano, o volume dos sete sistemas que abastecem a Grande São Paulo estava em 41,1% da capacidade — o menor índice registrado desde a crise hídrica histórica. Em janeiro de 2015, no ápice da crise, o nível dos mananciais chegou a 0,1%.

Em agosto de 2023, o armazenamento estava em 72,5% e passou para 59,6% em 2024, até chegar aos 41,1%. Em comparação, na mesma data de 2013, um ano antes da crise hídrica, os reservatórios estavam em 61,1%, ou seja, 20 pontos percentuais acima do atual.

Ainda de acordo com a Sabesp, não há risco de desabastecimento, mas o momento reforça a importância do uso consciente da água. “Pequenas atitudes no dia a dia ajudam a garantir água para todos”, afirmou a companhia.

Medidas de economia de água

No final de agosto, por decisão da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo), um regime de prevenção e contingência foi iniciado pela Sabesp. A água passou a chegar nos moradores da Grande São Paulo com menor pressão durante a noite.

No final de setembro, Natália Resende, secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, afirmou que as medidas preventivas têm surtido efeito e o rodízio de água é descartado neste momento.

Sobre esse novo nível de alerta, o governo de São Paulo afirmou que vem monitorando diariamente os volumes dos mananciais de forma coordenada e tem adotado medidas estratégicas, com base nas projeções e indicadores, para preservar o volume dos reservatórios e garantir o abastecimento da população.

Veja a nota completa:

"A redução da pressão noturna determinada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsesp) na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) completou um mês no último dia 27 de setembro com uma economia de 13,31 bilhões de litros de água, segundo dados da Sabesp. Essa economia seria o suficiente para abastecer, por um mês inteiro, as cidades de São Bernardo, Diadema e parte de Santo André, no ABC paulista.

No último dia 26, a SP Águas declarou escassez hídrica em duas bacias hidrográficas: a Bacia do Alto Tietê e a porção de competência do Estado da bacia do Rio Piracicaba, com o objetivo de preservar os estoques disponíveis e mitigar os efeitos da estiagem. Foi determinada a suspensão temporária da emissão de novas outorgas de uso da água, exceto aquelas consideradas prioritárias, como para consumo humano e dessedentação de animais.

Desde 1º de outubro, o Sistema Cantareira opera na Faixa de Restrição (Faixa 4), conforme critérios da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017. Entre as medidas adotadas estão a redução da captação máxima pela Sabesp, que passa de 27 m³/s para 23 m³/s, contribuindo para preservar os reservatórios e garantir maior equilíbrio no uso da água.

Além das ações de contingência, também estão sendo feitos investimentos estruturantes que reforçam a segurança hídrica da RMSP. Até 2027, obras da Sabesp acrescentarão 5.700 litros por segundo ao sistema integrado, incluindo a transferência de água do rio Itapanhaú, a futura interligação Billings–Taiaçupeba, a ampliação e modernização de estações de tratamento e reservatórios e estudos para novas alternativas, como a captação no rio Guaió e projetos de recarga de mananciais.

O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) hoje opera hoje com 29,9% e está sendo feito o acompanhamento contínuo dos efeitos das ações já em curso, considerando indicadores como volume, vazão, uso, condições meteorológicas e também a proximidade do período chuvoso. Caso os volumes de chuva fiquem aquém do esperado e seja necessária a adoção de medidas adicionais, como a intensificação do gerenciamento de pressão, elas serão definidas conforme a evolução destes indicadores e comunicadas de forma coordenada à população.

O Governo de São Paulo também reforça a importância da colaboração das pessoas neste período, com atitudes simples de economia de água, como reparar vazamentos, reduzir o ctempo de banho, utilizar máquinas de lavar apenas com carga completa e evitar o uso de mangueiras. Pequenas ações individuais, quando somadas, têm grande impacto na preservação dos mananciais. Campanhas de conscientização têm sido feitas tanto pela Sabesp quanto pela Secretaria de Comunicação do Governo."