Operação da PF mira quadrilha de roubos de cargas e caminhões em SP

Quadrilha especializada rendia motoristas com armas e mantinha vítimas em cativeiro; PF cumpre mandados de prisões, buscas e apreensão de R$ 18 milhões

Bruna Lopes, da CNN*, Gabriela Milanezi, da CNN, em São Paulo
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A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quarta-feira (17), a Operação No Rest com o objetivo de desmantelar as atividades de uma organização criminosa voltada a roubos de cargas e caminhões em São Paulo.

A Operação No Rest, expressão em inglês que significa “sem descanso”, faz referência à prática dos crimes enquanto os motoristas dos caminhões descansavam.

Foram mobilizados 120 policiais para a ação, sendo 60 policiais federais e 60 policiais militares rodoviários de SP.

Na manhã de hoje são cumpridos 17 mandados de prisão temporária e 12 mandados de busca e apreensão nos endereços residencias apontados na investigação, expedidos pela Vara de Garantias da Comarca de Sorocaba.

De acordo com o último balanço divulgado, oito pessoas foram presas e outros cinco mandados de prisão foram cumpridos contra pessoas que já estavam detidas. Eles serão encaminhados para a Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo.

Foram apreendidos também os bens e valores ligados à associação criminosa, totalizado em R$ 18 milhões.

O grupo especializado em repressão a crimes de roubo de cargas e caminhões da Delegacia de Polícia Federal em Campinas, em conjunto com o GAECO, iniciou as investigações em janeiro deste ano, a partir de um roubo ocorrido em novembro de 2024.

Após diligências, foi identificada a quadrilha armada liderada por um criminoso residente em Guarulhos e Mogi Guaçu (SP), responsável por recrutar ladrões, geralmente em grupos de quatro, que abordavam caminhões em movimento ou em áreas de descanso.

Os motoristas eram rendidos com o uso de arma de fogo, e as vítimas – incluindo acompanhantes, como esposas e filhos – eram mantidas em cativeiro até que os veículos fossem levados ao destino final.

Enquanto retiam as vítimas, os criminosos ligavam para os famíliares exigindo trasnferências bancárias, entrega de documentos, dinheiro, celulares e objetos pessoais de valor, que serão periciados e investigados na Delegacia de Polícia Federal em Campinas.

Em 7 meses, foram realizados 26 roubos e 1 furto pelo grupo em 15 cidades de SP e 1 em Minas Gerais, sendo: Araras, Boituva, Itapecirica da Serra, Itatiba, Itu, Itupeva, Jundiaí, Porto Feliz, Quadra, Salto, São Bernardo do Campo, São Lourenõ da Serra, São Paulo, Sorocaba e cidade de Extrema (MG).

Para o desmanche dos veículos era utilizado um galpão em Mogi Guaçu, interior do estado de São Paulo.

Os investigados, em sua maioria com antecedentes por roubo e tráfico de drogas, deverão responder por formação e participação em associação criminosa armada, roubo e furto, cujas penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo