Operação mira grupo de financiamento do PCC e "tribunais do crime" em SP

São cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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O Ministério Público do Estado de São Paulo realiza, na manhã desta terça-feira (21), uma operação contra suspeitos de financiar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e atuar nos chamados "tribunais do crime". 

Os principais investigados são Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiu, Leonardo Monteiro Moja, conhecido como "Leo do Moinho" e apontado como chefe da facção, e o empresário Cléber Azevedo dos Santos.

São cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. Dez pessoas foram presas nesta manhã (21). "Buiu" e "Leo do Moinho" já estavam presos, mas também estão entre os alvos das ordens de prisão. 

Veja quem são os alvos

  • Cléber Azevedo dos Santos (preso)
  • Robson Martins de Souza (preso)
  • Antonio Carlos Ubaldo Junior (preso)
  • Paulo Rogério Silva, vulgo “Paulo Barão” (preso)
  • Odair Alves da Silveira Filho (preso)
  • Leonardo Meirelles (foragido)
  • Marlon Antonio Fontana (preso)
  • Bruno Ramos Fernandes (preso)
  • Meire Bomfim da Silva Poza (preso)
  • Leonardo Monteiro Moja, vulgo “Léo do Moinho" (preso)
  • Danillo Vinicius da Silva Rosario
  • André de Souza Haddad, vulgo “Minhoca” (preso)
  • Antonio Carlos Sampaio, vulgo “Kaka”, “Dakar” ou “Compadre” (foragido)
  • Alexandre Viriato da Silva, vulgo “Gordão” ou “Gordinho” (preso)
  • Alexandre Salles Brito, vulgo “Buiu” (preso)
  • Raphael Flores Rodriguez, vulgo “Batata” (foragido)
  • Amjad Ahmad, vulgo “Amim” (foragido)
  • Marcelo de Morais Oliveira (foragido)

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos investigados.

Investigações da Operação Janus

A Operação Janus é um desdobramento das investigações feitas nas Operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas.

O objetivo é aprofundar a apuração sobre indivíduos suspeitos de movimentar recursos financeiros, realizar operações de conversão de dinheiro em espécie em transferências bancárias e atuar na ocultação, circulação e disponibilização de valores atribuídos à organização criminosa.

De acordo com o MP, os investigados teriam feito operações que envolviam entrega de numerário em espécie, transferências bancárias, utilização de empresas e contas de terceiros e movimentação de recursos em benefício de integrantes e colaboradores do PCC.

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As investigações também indicam a participação dos suspeitos em reuniões para a resolução de conflitos patrimoniais submetidos a integrantes da facção, em episódios identificados como “tribunais do crime”.

Além das prisões e buscas, a Justiça deferiu medidas cautelares patrimoniais que incluem o bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras, a indisponibilidade de imóveis e veículos e o sequestro de bens atribuídos aos investigados.

As decisões judiciais também determinaram o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas investigadas até o limite de R$ 10 milhões por investigado,além de medidas de constrição sobre pessoas jurídicas apontadas pela investigação como integrantes da estrutura financeira.

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O cumprimento das ordens judiciais conta com de diversas equipes da Polícia Militar.

O nome da operação faz referência a Janus, divindade romana associada às passagens e transições. A denominação remete à atuação investigada de movimentação de recursos entre o dinheiro em espécie e o sistema financeiro formal.

O papel de Leo do Moinho

As investigações do MP apontam que "Leo do Moinho", embora detido pela Operação Salus et Dignitas, mantinha seu status de chefe da facção na Favela do Moinho, no Centro de São Paulo.

Do presídio, ele seguia emitindo ordens, inclusive para intimidar funcionários da CDHU. O líder, segundo as investigações, utilizava uma complexa estrutura de imóveis e estabelecimentos comerciais na comunidade para facilitar o tráfico de drogas e disfarçar a lavagem de dinheiro, garantindo a continuidade do domínio do PCC na área.