Polícia ainda mira dois foragidos no caso Ruy Ferraz
Três envolvidos no assassinato, presos nesta terça (13), são do PCC, segundo investigadores
A Polícia Civil de São Paulo ainda procura por dois foragidos apontados como envolvidos no assassinato do delegado Ruy Ferraz, um dos principais responsáveis pelo combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os nomes deles não foram divulgados.
Mais de 80 agentes foram às ruas cumprir, na manhã desta terça-feira (13), cinco mandados de prisão, ligados a mandantes e envolvidos no assassinato do delegado, mas apenas três pessoas foram presas.
Segundo Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), um deles está, provavelmente, no estado de São Paulo, e agentes ainda tentam localizar. “Estamos com equipe atuando e não vamos divulgar nome por enquanto. Se a prisão não for efetuada hoje, divulgaremos como foragido, para "complicar a vida dele’e atrapalhar a fuga”, disse.
Sobre o segundo foragido, ela afirmou que “já sabíamos que não esta no Brasil. O que sabemos é que após o assassinato, após 15 de setembro, a informação é de que foi ele para a Bolívia. Estamos em contato tanto com a Interpol, quanto com autoridades locais, sobre ele”.
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Os três presos nesta terça
A polícia afirma ter prendido três pessoas entre mandantes e envolvidos no assassinato de Ruy Ferraz. Segundo os investigadores, tratam-se de integrantes do PCC que foram alvos do delegado no passado. Eles seriam integrantes do grupo que liderava assaltos a bancos, por volta de 2005 - e já teriam sido presos por ordem do delegado, quando atuava no combate à facção criminosa.
Marcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote ou MC, é investigado por dar apoio estratégico e logístico à execução. Segundo a polícia, ele pode ter participado da guarda de veículos, do uso de imóveis de apoio e da ocultação de elementos ligados ao assassinato.
Fernando Alberto Teixeira, vulgo Azul ou Careca, teria participado do planejamento, da coordenação logística e da execução indireta do crime.
Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho ou Manoelzinho, seria articulador logístico e operacional do grupo. Segundo as investigações, ele teria ajudado na fuga dos envolvidos e mantido a ligação entre os executores do crime. Manoel foi preso em Mongaguá, no litoral paulista.
A polícia afirma que os suspeitos possuem alto nível de experiência e responsabilidade dentro do PCC. Eles também estariam envolvidos nas atividades financeiras da facção e integrariam a organização há vários anos.
Execução de ex-delegado
Ruy Ferraz Fontes foi executado no dia 15 de setembro em uma emboscada. O crime ocorreu após uma perseguição em alta velocidade e o capotamento do carro do delegado em Praia Grande, no litoral paulista. Criminosos efetuaram mais de 20 disparos de fuzil contra ele.
Após a execução, os carros utilizados pelos criminosos, que eram roubados, foram abandonados e um deles incendiado, na tentativa de apagar vestígio.
A análise inicial da ação criminosa revelou um planejamento meticuloso e o conhecimento técnico dos executores, que perseguiram Fontes antes de desferir mais de 20 tiros de fuzil.
Inimigo do PCC: quem era Ruy?
Na época do crime, Ruy ocupava cargo de secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, ele estava rascunhando uma denúncia ao MP sobre possíveis fraudes em licitações da Prefeitura e estava licenciado de seu cargo na Polícia Civil.
Ferraz ganhou notoriedade por enfrentar a facção criminosa PCC, sendo considerado um dos principais inimigos da organização.
Em 2006, ele foi o responsável por indiciar toda a cúpula da facção, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de presidente Venceslau.


