Policial militar é preso após matar motorista em discussão de trânsito

Vítima, de 21 anos, foi baleada na cabeça e estava desarmada, segundo a Polícia Civil

Felipe Souza e Guilherme Rajão, da CNN Brasil, em São Paulo
  • Reprodução
Compartilhar matéria

 

Um policial militar foi preso em flagrante após matar a tiros um motorista durante uma discussão de trânsito na zona norte de São Paulo. O caso aconteceu por volta das 14h05 de segunda-feira (5), no cruzamento das ruas Luanda e Reverendo Carlos Wesly. A vítima foi identificada como Bruno Lisboa Araújo, que completaria 22 anos no próximo dia 10 de janeiro.

De acordo com o boletim de ocorrência, Bruno estava dentro de um Audi, parado na via, quando foi atingido por um disparo de arma de fogo na região da têmpora esquerda. Ele foi encontrado já sem vida no banco do motorista, caído sobre o banco do passageiro. O socorro chegou a ser acionado, e a vítima foi levada ao Hospital Cachoeirinha, onde o óbito foi confirmado.

O autor do disparo é o policial militar Leandro de Souza Assis, que acionou o serviço 190 após o ocorrido. Em depoimento, ele afirmou que a confusão começou após uma discussão no trânsito. Segundo sua versão, ao tentar fotografar o veículo de Bruno, passou a ser xingado e ameaçado. O policial alegou ainda que o motorista teria feito menção de sacar uma arma, o que motivou o disparo.

A investigação preliminar, no entanto, aponta uma dinâmica diferente. Imagens de câmeras de segurança da região mostram que o veículo da vítima já estava parado quando outros carros chegaram ao local. Na sequência, o automóvel conduzido pelo policial emparelhou com o Audi. Nas imagens que a CNN Brasil teve acesso, é possível ouvir gritos e ofensas antes do disparo. Para a Polícia Civil, os elementos reunidos indicam que houve perseguição após o desentendimento inicial e que Bruno estava desarmado no momento em que foi baleado.

Após o tiro, o policial deixou o local com o carro, estacionou a poucos metros e, em seguida, fez a ligação para a polícia. Testemunhas relataram que houve correria logo após o disparo e que uma delas chegou a se aproximar do veículo da vítima, sendo constatado depois que o celular de Bruno havia sido retirado e localizado em outro carro envolvido na cena.

A perícia foi acionada, imagens foram anexadas ao inquérito e testemunhas foram ouvidas na delegacia, todas acompanhadas por advogados. Ao final da análise inicial dos fatos, a autoridade policial decidiu pela prisão em flagrante do policial militar, entendendo que não havia indícios de legítima defesa.

O caso foi registrado como homicídio no 45º DP da Vila Brasilândia e segue sob investigação.