Por que 9 de julho é feriado em SP? Entenda data comemorativa

Dia marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado liderado por tropas paulistas contra governo de Getúlio Vargas; celebração é restrita ao estado

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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Comemorado na próxima quinta-feira, o dia 9 de julho é considerado a data magna do estado de São Paulo e representa um feriado estadual civil desde 1997. O dia marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932, um movimento armado liderado por tropas paulistas contra o governo provisório de Getúlio Vargas. 

Como o levante de 1932 foi um movimento conduzido exclusivamente por tropas e pela sociedade paulista, a celebração é restrita ao estado e não é feriado nas demais unidades da federação.

A oficialização da data ocorreu por meio da Lei Estadual nº 9.497, de 5 de março de 1997, sancionada pelo então governador Mário Covas. A criação da norma estadual foi amparada pela Lei Federal nº 9.093/1995, que autorizou os estados a escolherem uma data representativa da sua história para instituir como feriado civil. 

Contexto histórico do 9 de julho

Vargas assumiu o poder em 1930 após um golpe de Estado, colocando fim à política do "Café com Leite", na qual líderes de São Paulo e Minas Gerais se alternavam na presidência.

Ao tomar o posto, ele anulou a Constituição de 1891, dissolveu o Congresso Nacional e passou a governar por decretos,nomenado interventores militares para os estados.

A insatisfação em São Paulo cresceu devido à falta de autonomia e à exigência por uma nova Constituição e pela convocação de eleições presidenciais. Por isso, o movimento é chamado de "Constitucionalista".

O símbolo do MMDC

Um evento decisivo ocorreu no dia 23 de maio de 1932, durante um protesto no centro da capital paulista. No confronto com partidários do governo, quatro jovens foram mortos: Martins, Mirgais, Dráusio e Camargo.

As iniciais dos nomes de cada um formaram a sigla MMDC, que se tornou o símbolo de resistência e mobilização para a luta armada que aconteceria em 9 de julho.

O desenrolar da história

A revolução contou com a adesão popular e mobilizou cerca de 100 mil combatentes e durou quase três meses. Apesar do esntusiasmo, os paulistas ficaram isolados, já que outros estados não aderiram ao levante como esperado, e as tropas federais eram militarmente superiores.

Oficialmente, o conflito terminou com a derrota militar de São Paulo e a morte de mais de 600 constitucionalistas.

No entanto, historiadores apontam que houve uma vitória política: a pressão do movimento forçou Vargas a convocar eleições para uma Assembleia Constituiente em 1933, resultando na constituição de 1934.

Segundo o professor de história Gerson Leite de Moraes, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a revolta teve múltiplas interpretações: “A revolta foi constitucionalista pela visão dos paulistas, revanchista a partir da visão dos varguistas, mas foi, em última instância, uma guerra civil”, afirma.

De qualquer forma, o 9 de julho é considerado um marco da identidade paulista, e o nome da data estampa diversas ruas, avenidas e instituições por todo o estado.