Quem é a delegada presa por envolvimento com o PCC durante operação

Layla Lima Ayub já havia atuado como advogada criminalista e mantinha um relacionamento amoroso com "MC Dedel", líder da facção no norte do Brasil

Helena Barra e Yasmin Silvestre, da CNN Brasil*, São Paulo
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A delegada da Polícia Civil de São Paulo Layla Lima Ayub foi presa, na manhã desta sexta-feira (16), sob suspeita de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Conforme apuração da CNN Brasil, Layla trabalhou como advogada criminalista e já havia atuado como PM (Policial Militar) no estado do Espírito Santo. Ela foi empossada no cargo de delegado de polícia de 3º classe em dezembro de 2025.

Além disso, a advogada teria um relacionamento amoroso com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como MC Dedel, líder do PCC no norte do Brasil. Ambos moravam juntos em São Paulo.

De acordo com a Polícia Civil, a principal prova que deu início as investigações foi a descoberta de que Layla exerceu o papel de advogada em uma audiência de custódia no estado do Pará, mesmo após ter tomado posse no cargo de delegada, o que não é permitido.

A audiência foi realizada em 28 de dezembro de 2025, 12 dias após a posse dela, e na ocasião, os suspeitos defendidos por ela respondiam pelos crimes de tráfico e associação criminosa.

Entenda a prisão da delegada

A prisão ocorreu durante a Operação Serpens, deflagrada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) junto da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Pará.

De acordo com o órgão, Layla mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção. A mulher também se relacionava amorosamente com Jardel Neto Pereira da Cruz, vulgo Mc Dedel, que já havia sido condenado por sua atuação no PCC.

Em coletiva de imprensa, realizada nesta manhã (16), autoridades da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmaram que a prova principal que incriminou Layla ocorreu após a mulher atuar como advogada, em audiências de custódia, para presos integrantes da facção que estavam sendo julgados por tráfico e associação criminosa.

Na ação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá. Além desses, ainda houve o cumprimento de dois mandados de prisão temporária contra a mulher e Mc Dedel.

Entenda a relação de delegada com Dedel, líder do PCC na região Norte

CNN Brasil tenta localizar a defesa da delegada e o espaço segue aberto para manifestações.

Atuação com o PCC

De acordo com as investigações, a delegada atuou como advogada da facção durante todo o ano de 2025. Ela teria realizado múltiplas visitas a líderes da facção criminosa PCC no Pará.

A Justiça afirma que a presença e a atuação dela na facção, além da presença de Dedel em sua posse de cargo, demostram "severo comprometimento" da delegada com o crime organizado.

A investigação ainda busca entender o real nível de envolvimento de Layla com a facção criminosa e quais eram as suas atribuições e demandas dentro da organização.

A Polícia Civil ainda afirma que não há indícios de que o concurso realizado por ela tenha sido fraudado.

*Sob supervisão de AR.