Liquidada pelo BC, Reag já foi alvo de megaoperação contra o PCC; entenda

Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, cumpriu mais de 40 mandados contra gestoras de fundos de investimentos e instituições financeiras, localizadas na Avenida Faria Lima

Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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A Reag Investimentos, liquidada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15), já foi alvo de uma megaoperação do Ministério Público de São Paulo contra um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). 

A Operação Carbono Oculto, realizada em 28 de agosto de 2025, cumpriu mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos. Entre eles, 42 gestoras de fundos de investimentos ou instituições financeiras. Uma delas era a Reag, localizada na Avenida Faria Lima, centro financeiro da capital paulista.

Na denúncia que levou à operação, obtida pela CNN Brasil, o MPSP afirmou que João Carlos Mansur, fundador da Reag, era responsável por "dinâmicas fraudulentas envolvendo fundos e a BK Instituição de Pagamento". Mansur é citado como gestor da empresa, "diretamente implicado na ocultação de valores sem origem".

O documento do MPSP ainda aponta diversos fundos administrados pela gestora que eram "utilizados para aquisição e ocultação de bens, inclusive imóveis e veículos". 

O empresário também foi alvo da Carbono Oculto em 2025. As autoridades cumpriram duas ordens judiciais de busca, sendo um em seu escritório na Faria Lima e outro em sua casa. Nesta quarta-feira (14), a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão contra Mansur durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras.

Na época da Carbono Oculto, a Reag, por meio de nota, disse que seguia "colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo as informações e documentos solicitados, e permanecerão à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários".

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de João Carlos Mansur para um posicionamento. O espaço segue aberto.

Entenda esquema do PCC

De acordo com a investigação, o esquema criminoso, que tem participação do PCC, lesou não apenas consumidores que abastecem seus veículos, mas "toda uma cadeia econômica". A investigação aponta um valor de R$ 7,6 bilhões somente em sonegação de tributos por meio do esquema.

Cerca de 1.000 postos de combustíveis vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Uma Fintech que atuava como banco paralelo da organização, por exemplo, movimentou sozinha R$ 46 bilhões não rastreáveis no período.

A "Operação Carbono Oculto" cumpriu mandados em oito estados, revelando uma complexa rede de desvio e adulteração de combustíveis que lesava consumidores e gerava lucros exorbitantes ao crime organizado • MPSP
A "Operação Carbono Oculto" cumpriu mandados em oito estados, revelando uma complexa rede de desvio e adulteração de combustíveis que lesava consumidores e gerava lucros exorbitantes ao crime organizado • MPSP

Conforme o MPSP, o PCC está associado a uma rede de organizações criminosas, cujos vínculos são estabelecidos de forma permanente ou eventual, e convergente, de modo a assegurar a efetividade das atividades econômicas ilícitas, por meio da sua inserção na economia formal, como é o setor de combustível e o sistema financeiro.

Os mais de 350 alvos são suspeitos da prática de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato. As irregularidades foram identificadas em diversas etapas do processo de produção e distribuição de combustíveis.

Liquidação extrajudicial

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos Valores Mobiliários S.A nesta quinta-feira (15). A decisão foi motivada por graves violações às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Fundos administrados pela Reag Trust estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024, segundo informações repassadas pelo Banco Central ao TCU (Tribunal de Contas da União). No relatório encaminhado à Corte, a autoridade monetária informou que as operações estavam em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, apresentando falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.

Em nota, a autoridade monetária informou que continuará tomando todas as medidas cabíveis em relação a Reag Trust para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais.

"O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição", diz o comunicado do Banco Central.