Rio Tietê reduz poluição, mas água segue ruim em 36% dos pontos analisados
Trechos considerados de 'boa qualidade' tiveram redução significativa, segundo estudo da SOS Mata Atlântica

O Rio Tietê teve redução de 15,9% da mancha de poluição em 2025, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (18), mas a qualidade da água ainda segue ruim ou péssima em 36,4% do leito, mantendo a preocupação ambiental dos especialistas.
De acordo com a pesquisa "Observando o Tietê", coordenada pela SOS Mata Atlântica, a extensão de água imprópria para usos múltiplos (mancha de poluição) diminuiu de 207 km, em 2024 para 174 km em 2025.
Apesar do dado positivo, o número de pontos monitorados classificados como de boa qualidade teve uma redução significativa. Eles caíram de três para apenas um (1,8%), enquanto a maioria se manteve entre as categorias regular (61,8%), ruim (27,3%) ou péssima (9,1%). Não houve pontos classificados como ótimos.
Os dados revelam que a bacia do Tietê viveu um ciclo de recuperação entre 2016 e 2021, quando a qualidade regular e boa da água aumentou e a mancha de poluição chegou ao menor patamar recente, com 85 km. A partir de 2022, essa trajetória positiva se inverteu. A mancha voltou a crescer, atingindo o pico de 207 km em 2024.
“Agora, como vemos, há uma redução da mancha para 174 km, mas acompanhada da menor extensão de água boa da série", afirma Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios na SOS Mata Atlântica.
O relatório, elaborado no âmbito do projeto Observando os Rios, contou com a participação de 46 grupos de voluntários em 24 municípios, com apoio de universidades e da equipe técnica da Fundação.
No total, foram analisados 55 pontos em 41 rios da bacia do Tietê, com base no Índice de Qualidade da Água (IQA) – indicador que considera parâmetros físicos, químicos e biológicos (como oxigênio dissolvido, coliformes fecais, turbidez, fosfato, nitrato), além de pH, e classifica a água em cinco categorias (ótima, boa, regular, ruim ou péssima).
Qualidade ruim das águas
No trecho entre a nascente, em Salesópolis e Barra Bonita, o relatório aponta que 120 km apresentaram qualidade ruim, contra 131 km em 2024, e outros 54 km foram classificados como péssimos.
“A qualidade permanece altamente suscetível a variações climáticas, descargas e remanescentes de esgoto tratados e não tratados, operações de barragens, efeitos de eventos extremos e acidentes ambientais, o que reforça a necessidade de vigilância contínua e a urgência de ações estruturais de despoluição”, explica Veronesi.
Radiografia do Tietê
Ao todo o corpo d'água tem ao todo 1,1 mil km, da nascente à foz. O Tietê atravessa o estado de São Paulo de leste a oeste e corta áreas urbanas, industriais, de geração de energia hidrelétrica e de produção agropecuária, dividido em seis bacias hidrográficas.
O rio abrange 265 municípios, passando por uma área de mais de 9 milhões de hectares, quase 80% dentro da Mata Atlântica.
Procurado pela CNN, o governo respondeu por meio da Secretaria de Meio Ambiente que garantiu investimentos de mais de R$ 22 bilhões em ações de despoluição desde 2023. "No total, 576 quilômetros de tubulações foram implantadas, com a construção de 16 Estações Elevatórias de Esgoto e mais três novas Estações de Tratamento de Esgoto", cita trecho do posicionamento.
*Sob supervisão de Thiago Félix



