São Paulo tem mais de 3 mil prisões em flagrante por reconhecimento facial
Programa gasta R$ 10 milhões por mês e não tem eficácia na diminuição da criminalidade, de acordo com Centro de Estudo de Segurança e Cidadania (CESeC)

Nesta quarta-feira (6), a cidade de São Paulo registrou a marca de 3.058 pessoas presas em flagrante pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), com a tecnologia e reconhecimento facial do Programa Smart Sampa. As ocorrências incluem casos de furto, roubo, tráfico de drogas, vandalismo e outras infrações detectadas pelas câmeras integradas ao programa.
Os sistemas de inteligência artificial e análise de imagens em tempo real são feitas por mais de 31,6 mil câmeras. “Esse resultado mostra como a tecnologia, quando bem aplicada, pode ser uma poderosa aliada da segurança pública. O Smart Sampa representa um novo modelo de cidade inteligente, onde a informação trabalha a favor da proteção das pessoas”, considera o secretário de Segurança Urbana de São Paulo, Orlando Morando.
Apesar dos resultados, o Panóptico, do Centro de Estudo de Segurança e Cidadania (CESeC), afirma que a tecnologia não demonstra "nenhuma alteração no aumento ou diminuição dos casos de furtos, roubos e homicídios na cidade".
Ao custo de quase R$10 milhões ao mês, o programa que funciona desde novembro do ano passado, a não reduziu crimes (furtos, assaltos ou homicídios) e nem aumentou o número de cumprimento de mandados judiciais (apreensões de criminosos foragidos), de acordo com índices de produtividade policial analisados no estudo.
"Os erros de identificação documentados, a falta de regulação específica e o histórico de vieses raciais associados a esse tipo de tecnologia levantam preocupações sérias sobre o custo social do programa", afirma a pesquisa.
Os pesquisadores criticam que, em um cenário de escassez orçamentária e serviços públicos precarizados," é urgente reavaliar prioridades".


