COP30

SP firma acordos para impulsionar mercado de biocombustíveis sustentáveis

Foco está no biometano, com novas políticas, aplicativo para negócios tem potencial de até 20 mil empregos

Vinícius Murad, da CNN, São Paulo
Planta de produção de biometano do Grupo Solví e MDC Energia, em Caieiras, São Paulo.  • Fotos/Divulgação: Grupo Solví e MDC Energia
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O Governo de São Paulo anunciou uma série de medidas para acelerar a produção e o uso de biocombustíveis sustentáveis, com foco no biogás e no biometano. Em evento realizado na quinta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) firmou um acordo com a World Biogas Association (WBA) e lançou um aplicativo que conecta os principais agentes da cadeia produtiva do biometano. A estratégia integra a transição energética do estado e promete impulsionar investimentos, gerar empregos e reduzir emissões.

A parceria com a WBA prevê a implementação de políticas públicas, regulamentações e padrões que estimulem a produção do biometano, combustível com menor pegada de carbono e que pode substituir o gás natural em indústrias e veículos.

A secretária estadual da Semil, Natália Resende comemorou o lançamento do projeto. “Acordo muito importante para a gente continuar acelerando e impulsionando o uso e a produção de biogás. É uma forma de energia sustentável a partir de lixo e do setor sucroenergético. Isso é importante porque estamos fazendo economia circular de verdade. Queremos cada vez mais fomentar e estimular isso no estado de SP”, disse.

Outro avanço é o acordo técnico com o WRI Brasil, que permitirá a criação de um certificado de garantia de origem para o biometano. O objetivo é garantir a rastreabilidade do combustível e reconhecê-lo como ativo ambiental válido nos inventários de carbono de empresas — o que também pode atrair investimentos e impulsionar a produção local.

Para a presidente executiva da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o aplicativo é um ambiente propício para o crescimento do setor. "Por isso, vamos incentivar nossos associados a estarem ativos no aplicativo. É importante que todos os players do mercado se conectem para criarmos, de fato, uma comunidade", disse Renata Isfer à CNN.

Segundo o governo paulista, cerca de 80% do potencial de produção de biometano no estado vem do setor sucroenergético, que aproveita a vinhaça, um resíduo da produção de etanol, como matéria-prima. A meta é atingir uma produção potencial de até 6,4 milhões de metros cúbicos por dia — quase sete vezes mais que o volume atual.

Um estudo da Fiesp, em parceria com a Semil, estima que o setor possa gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos com a expansão da cadeia do biometano. A substituição do diesel por esse combustível poderia ainda evitar até 24,5 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2050, o que corresponde a 16% da meta estadual de descarbonização.

A estimativa é que esse volume represente cerca de 25% do consumo de diesel no transporte pesado paulista. Além do setor sucroenergético, cerca de 20% da produção pode vir de aterros sanitários, aproveitando a decomposição de resíduos orgânicos.

Aplicativo quer conectar cadeia produtiva e viabilizar novos projetos

Para fortalecer a integração entre produtores, investidores, fornecedores e financiadores da cadeia de biometano, o governo lançou o aplicativo Conecta Biometano SP. Desenvolvido pela Semil em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e a InvestSP, a plataforma já está disponível gratuitamente para celulares nas lojas Google Play e App Store - da Apple.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, 76 empresas já estão cadastradas. Dentre elas, a Orizon Valorização de Resíduos. "Acreditamos que essa ferramenta representará um importante impulso para acelerar iniciativas e fortalecer a transição energética", destacou Caroline de Melo Pinheiro Pinho, Gerente de Energia e Biocombustíveis da Orizon.

A proposta do aplicativo é funcionar como um hub digital para que empresas, prestadores de serviço, instituições financeiras e produtores possam interagir e firmar novas parcerias. A plataforma também é voltada a municípios interessados em investir em transição energética e projetos de economia circular.

Para a secretária Natália Resende, a ferramenta também tem grande potencial. “No app, todo mundo que participa da cadeia do biometano vai se conectar para fomentarmos ainda mais essa energia limpa”, declarou.

A iniciativa está alinhada ao Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050), que prevê emissões líquidas zero de carbono até meados do século.

A regulamentação do setor também avança: Uma resolução conjunta da Semil com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, publicada em maio, simplificou o licenciamento ambiental de empreendimentos voltados à produção de biogás e biometano em áreas rurais. A medida busca ampliar o uso de biodigestores em propriedades agrícolas e agroindústrias, o que também permite o reaproveitamento de resíduos e a geração de biofertilizantes e créditos de carbono.

O Governo de São Paulo aposta nesse pacote de ações para transformar o estado em líder nacional no uso do biometano como solução viável para a transição energética. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o combustível já começa a ser usado em caminhões com autorização regulatória específica, o que abre caminho para maior adesão por parte da indústria de transportes.