Tarcísio restabelece demissão de policial acusado pela morte de Leandro Lo
Decreto publicado no Diário Oficial determina novamente a expulsão de Henrique Velozo da Polícia Militar após decisão definitiva do Tribunal de Justiça de São Paulo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a demitir o tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, acusado de matar o lutador de jiu-jítsu Leandro Lo. O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (21) e restabelece a pena de demissão do oficial, após uma decisão definitiva do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
A medida torna sem efeito o decreto de 28 de outubro de 2025, que havia suspendido temporariamente a demissão em razão de uma decisão liminar. Com a conclusão do processo judicial, o governo restabeleceu os efeitos do decreto de 19 de setembro de 2025, que determinou a expulsão do tenente da corporação.
A decisão administrativa tem como base um acórdão do TJMSP (Tribunal de Justiça Militar de São Paulo), no âmbito de um Conselho de Justificação, e o julgamento definitivo do TJSP sobre a manutenção da penalidade.
A defesa do policial militar, representada pelo advogado Tiago Chambo, afirmou que respeita a decisão do governador, mas não concorda com ela.
Leia a nota na íntegra:
"O decreto de demissão publicado pelo Governo do Estado cumpre a decisão do Tribunal de Justiça Militar no Conselho de Justificação. Em fevereiro deste ano, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que esse ato é vinculado e que o Governador apenas dá cumprimento ao julgado. A defesa respeita essa decisão, mas não concorda com ela.
O Conselho de Justificação foi julgado antes de o Tribunal do Júri, juiz natural do caso, decidir sobre os fatos. O Júri da Capital já decidiu, e decidiu pela absolvição: reconheceu que Henrique agiu em legítima defesa. A sentença ainda está em fase de apelação.
Quando a Justiça reconhece que alguém agiu em legítima defesa, afirma que essa pessoa não cometeu nenhum ato ilícito. Por isso, a defesa entende que não pode subsistir uma demissão baseada nos mesmos fatos.
A defesa reafirma seu respeito ao Poder Judiciário e sua solidariedade à família de Leandro Lo. Quando o processo criminal terminar de forma definitiva, a defesa vai adotar as medidas judiciais cabíveis para desconstituir a demissão e reintegrar Henrique à Polícia Militar."
Entenda o caso Leandro Lo
O lutador Leandro Lo, octacampeão mundial de jiu-jítsu, foi baleado na cabeça na madrugada de 7 de agosto de 2022, durante um show no Clube Sírio, na zona sul de São Paulo.
Segundo as investigações, Lo se envolveu em uma discussão com Henrique Velozo. Durante o desentendimento, o atleta imobilizou e derrubou o tenente. Depois, o policial se afastou, retornou armado e atirou na cabeça do lutador.
De acordo com os relatos sobre o caso, Velozo ainda teria chutado a vítima antes de deixar o local.
Lo foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Saboya, mas teve a morte cerebral confirmada.
Velozo se apresentou à Corregedoria da Polícia Militar no dia seguinte ao crime e teve a prisão decretada. Ele foi acusado de homicídio qualificado por motivo fútil.
Tenente foi absolvido pelo Tribunal do Júri
Em novembro de 2025, Henrique Velozo foi absolvido pelo Tribunal do Júri, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Por maioria de votos, os jurados acolheram a tese de legítima defesa apresentada pela defesa do policial.
A absolvição criminal, porém, não impediu a continuidade do processo administrativo disciplinar na Polícia Militar.
Na esfera militar, o Conselho de Justificação considerou o oficial culpado por unanimidade, por entender que sua conduta era incompatível com o exercício da função.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

