Tuta, "chefão" do PCC, é transferido para prisão de segurança máxima em SP

Marcos Roberto de Almeida foi preso em maio na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia

Fernanda Palhares, Vitor Bonets e Helena Barra, da CNN Brasil*, em São Paulo
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O criminoso conhecido como Tuta, apontado como líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) e sucessor de Marcola na facção, foi transferido para uma unidade prisional de segurança máxima em São Paulo.

Tuta saiu da Penitenciária Federal em Brasília e foi levado para a P2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo) informou que, por questões de segurança, não serão divulgados detalhes sobre a transferência.

A Justiça havia decretado a transferência no dia 31 de julho. Marcos Roberto de Almeida, nome verdadeiro de Tuta, foi preso em maio, na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Após a prisão realizada pela Polícia Federal, ele foi encaminhado ao presídio federal de Brasília, onde permaneceu por quase três meses.

Assim como o presídio federal de Brasília, a P2 de Presidente Venceslau, onde Tuta ficará preso agora, também é classificada como uma prisão de segurança máxima.

Entenda a prisão de Tuta

​Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, foi preso na Bolívia no dia 16 de maio.

A prisão ocorreu quando ele tentou renovar sua licença para permanecer no país utilizando um documento falso. A polícia boliviana constatou a fraude e acionou os órgãos brasileiros e a Interpol.

Interpol identificou que Tuta era alguém com alerta vermelho, referência para localização e prisão de indivíduos procurados em diversos países. A Polícia Federal brasileira foi acionada pela Interpol para checar suas bases de dados e confirmar a identidade com precisão para a polícia boliviana.

O uso da base biométrica pela PF permitiu que a polícia boliviana de combate ao narcotráfico confirmasse tecnicamente a identidade de quem se tratava, possibilitando a detenção por uso de documentos falsos.

A prisão foi resultado de uma ação coordenada entre a Polícia Federal brasileira e a Fuerza Especial de Lucha contra el Crimen (FELCC) da Bolívia.

Histórico criminal e função no PCC

Marcos Roberto de Almeida estava foragido desde 2021. Ele foi condenado no Brasil a mais de 12 anos por diversos crimes, incluindo associação criminosa e lavagem de capitais.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou Tuta como responsável por movimentar cerca de R$ 1 bilhão para a organização criminosa entre os anos de 2018 e 2019. Ele também é indicado como um dos principais articuladores de um esquema internacional de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC.

Segundo o MP-SP, Tuta sucedeu Marcola como principal liderança e mandatário do PCC. Ele era apontado como a principal liderança da facção fora das cadeias e mantinha contato direto com outros líderes presos, incluindo Marcola. Na operação Sharks, em 2020, o MP indicou que ele era responsável por comandar os integrantes soltos da organização criminosa.

A investigação apontou ainda que Tuta era suspeito de ser responsável pelos planos de fuga das lideranças do PCC reclusas em presídios federais, e de liderar os planos para assassinar agentes e autoridades públicas em represália às transferências e ações contra a cúpula da organização.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo