Vídeo: PM orienta colega a virar câmera em ação que acabou em morte em SP
Imagem mostra policial pedindo que câmera corporal fosse reposicionada momentos antes de Gabriel Ferreira Messias da Silva ser baleado na zona leste da capital
Uma nova gravação revelada neste sábado (24) trouxe um elemento-chave para as investigações sobre a morte de Gabriel Ferreira Messias da Silva, de 18 anos, atingido por um disparo da Polícia Militar no bairro da Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.
O vídeo, obtido pela CNN com a família do jovem, mostra um dos policiais dizendo “vira, vira, vira” ao colega durante a ação, instantes antes do disparo que matou Gabriel em novembro de 2024.
A fala, registrada pelas câmeras corporais dos próprios agentes, levantou suspeitas sobre a conduta dos PMs e motivou questionamentos quanto à transparência da abordagem. A Defensoria Pública de São Paulo já havia contestado a versão apresentada pelos policiais, que alegam que o jovem estava armado e tentou fugir. No entanto, segundo a Defensoria, imagens analisadas e depoimentos de testemunhas indicam que o jovem não portava arma.
Policiais seguem afastados
A Secretaria de Segurança Pública informou que o Inquérito Policial Militar (IPM) foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário. Os policiais envolvidos permanecem afastados das ruas. Em paralelo, a Polícia Civil investiga o caso por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A apuração segue sob sigilo e visa esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência.
Nos registros das câmeras, é possível observar o momento em que um dos policiais faz o alerta verbal ao colega. Pouco depois, há uma mudança no posicionamento do equipamento, o que tem sido interpretado como uma tentativa de reduzir o campo de visão da gravação.
Contradições
A versão inicial apresentada pela Polícia Militar dizia que Gabriel teria reagido à abordagem e sacado uma arma, o que, segundo a corporação, motivou o disparo. A Defensoria Pública, no entanto, afirma que até o momento não há qualquer prova de que o jovem estivesse armado.
“Não há, até o momento, qualquer imagem que comprove que Gabriel estivesse portando arma de fogo ou que tenha feito qualquer movimento que configurasse ameaça à integridade dos policiais”, afirmou o órgão em nota.
A Defensoria solicitou acesso completo às imagens e documentos que integram o inquérito policial. O laudo da perícia oficial ainda não foi divulgado.


