Homem que matou esposa médica no Paraná é denunciado pelo MP
João Vitor Domingues Romeiro, acusado de feminicídio, também abandonou o filho, um bebê de oito meses, em um apartamento em Maringá

O Ministério Público do Paraná (MP-PR), por meio da 23ª Promotoria de Justiça de Maringá, denunciou, neste domingo (27), João Vitor Domingues Romeiro pelos crimes de feminicídio contra a ex-companheira, a médica Gassi Mazia, e de abandono de incapaz contra o próprio filho, um bebê de oito meses.
Segundo a denúncia, no dia 5 de setembro de 2026, provavelmente por volta das 20 horas, no interior do apartamento da vítima, em Maringá, o denunciado, “prevalecendo-se das relações domésticas e afetivas e por razões da condição do sexo feminino, com nítido propósito homicida, matou a sua ex-companheira, mediante motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima”. Depois, fugiu, deixando o bebê sozinho.
A denúncia aponta que o crime foi praticado por motivo torpe, “uma vez que o denunciado agiu impelido por um sentimento egoístico de posse e inconformismo com a autonomia da vítima, não aceitando o fim do relacionamento afetivo e ceifando-lhe a vida por considerar que ela lhe pertencia de forma exclusiva, motivação esta que se revela abjeta e causa profunda repulsa social”.
Ficou evidente ainda que o crime foi praticado mediante meio cruel, “impondo à vítima sofrimento atroz, prolongado e desnecessário, consubstanciado na multiplicidade de golpes de arma branca do tipo faca. Foram 14 golpes no corpo da vítima.
Por fim, a denúncia coloca que o delito foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, tendo em vista que ela foi atacada dentro de sua residência e que o autor usou uma faca, “o que reduziu a possibilidade de reação, esquiva ou fuga, seja por conta da extrema violência empregada em ambiente fechado, bem assim da força física masculina em detrimento da vítima”.
O MPPR acrescenta que o feminicídio foi praticado contra uma mãe, responsável por criança, bem como na presença física do filho do autor, o bebê de oito meses de idade que se encontrava no mesmo recinto durante o crime. É citado ainda que o crime foi praticado em contexto de violência doméstica e familiar, uma vez que o denunciado manteve relacionamento afetivo com a vítima, prevalecendo-se das relações domésticas, da intimidade de convívio e da vulnerabilidade da vítima no ambiente residencial.
A Promotoria narra ainda que, segundo apurado, logo após matar a mãe da criança, o denunciado tomou banho, trocou de roupa, apanhou a chave do carro de propriedade da vítima e evadiu-se do local. Antes de fugir, porém, o denunciado “trancou a porta de entrada do apartamento com chave, trancafiando e abandonando o bebê de 8 meses totalmente sozinho, indefeso e desamparado no recinto”.
A criança permaneceu por horas sozinha, exposta a perigo concreto para sua vida e saúde, chorando no interior do imóvel, até ser resgatada por um tio materno, que precisou arrombar a porta de entrada do apartamento ao ouvir o choro ininterrupto do sobrinho.
O denunciado, que foi preso no mesmo dia do crime, permanece recolhido na Cadeia Pública de Maringá. A CNN Brasil tenta contato com a defesa do denunciado.
*Sob supervisão de André Rigue


