PR: Advogada é presa suspeita de entregar celulares a facção na prisão

Profissional cobraria R$ 5 mil por aparelho, conforme investigação; defesa diz que mulher é inocente

Gabriela Garcia, da CNN Brasil, em Porto Alegre
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Uma advogada foi presa, nesta quinta-feira (13), suspeita de entregar celulares a membros de uma organização criminosa, em unidades prisionais de Maringá (PR).

Conforme o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, Jessica Aparecida Barroso dos Santos se valia de prerrogativas profissionais para a entrega dos aparelhos eletrônicos reiteradas vezes.

As investigações tiveram início em setembro, após o Gaeco receber informações sobre o esquema. A advogada cobraria R$ 5 mil por aparelho, que seriam destinados a “instrumentalizar integrantes de uma organização criminosa nacionalmente conhecida, permitindo que seus membros, do interior da unidade prisional, mantivessem contato com o mundo externo, continuassem os vínculos com demais faccionados em liberdade e planejassem novos crimes”, diz o Gaeco.

Além da prisão temporária, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e busca pessoal. As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Maringá, Sarandi, Paiçandu e Paranavaí, em endereços relacionados aos investigados. Durante o cumprimento das medidas, a advogada foi presa temporariamente, na presença de representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

As investigações apuram a prática dos crimes de integração em organização criminosa, ingresso ilegal de aparelhos telefônicos em estabelecimentos prisionais e lavagem de dinheiro.

A ação contou com o apoio e a atuação conjunta da Polícia Penal e da Direção da Penitenciária Estadual de Maringá.

Em nota, a defesa de Jessica Aparecida Barroso dos Santos disse que não acredita na culpa da indiciada e que será provada a inocência dela.

Confira a nota na íntegra:

"A defesa custa a acreditar que possa haver envolvimento de uma profissional que ostenta reputação ilibada, até esta data, com organizações criminosas conforme o noticiado.

Não acreditamos na culpa da Indiciada e, diante das investigações, associado ao conjunto probatório a sustentar o processo, iremos provar a inocência dela e o que de fato possa ter ocorrido.

Mais que isso, acreditamos na lisura da entidade que está investigando o caso e ressaltamos que acreditamos na justiça, como ela e feita e no resultado das ações, tanto do Ministério Público, como dos investigadores entre outras autoridades incumbidas em desvendar a questão, nesta senda, acreditamos que será comprovada a inocência da Indiciada.

Ainda não tivemos acesso a todo o material produzido pela investigação, entretanto, cremos que existe algum incidente mal interpretado no âmbito investigativo, sem motivos para especulação ou julgamento precoce sobre a Profissional.

Notadamente estamos ao lado da justiça que se apresenta tímida às vezes e iremos constrangê-la até que emerja das profundezas do mar de duvidas, assim desfazendo as sombras que pairam sobre o caso, revelando com clareza o nítido brilho das certezas, perfazendo a aplicação da justa justiça."