Ex-prefeito e empresária presos: entenda operação sobre desvios em Lajeado

Investigação da PF aponta fraudes em três licitações durante enchentes no Rio Grande do Sul em 2024

Elijonas Maia, da CNN Brasil, em Brasília
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A investigação da PF (Polícia Federal) sobre supostos desvios de recursos federais durante as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 levou à prisão o ex-prefeito de Lajeado (RS) e uma empresária da cidade, nesta quinta-feira (26), e detalha um suposto esquema de desvio para um grupo político.

A operação ocorreu às 6h30 e o ex-prefeito foi preso em casa. Essa foi a segunda fase da operação batizada de “Lamaçal”.

Quem foi preso

O ex-prefeito da cidade Marcelo Caumo foi preso temporariamente na manhã desta quinta-feira (26) durante a segunda fase da operação Lamaçal.

Caumo foi prefeito de Lajeado entre 2017 e 2024. Em novembro do ano passado, ele foi alvo da primeira fase da operação e sofreu buscas e apreensão.

Uma empresária do município também teve a prisão decretada pela Justiça Federal.

Veja o momento da prisão de Caumo

● Créditos: Nicolas Horn/Rádio Independente

Como seria o desvio

A investigação aponta que ao menos R$ 5 milhões teriam sido desviados pela gestão de Lajeado (RS).

A PF aponta que houve irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Com base nessas licitações, o dinheiro público teria sido desviado, diz a PF.

Lajeado recebeu recursos públicos federais do FNAS (Fundo Nacional de Assistência Social) para auxílio à população durante a tragédia climática de maio de 2024.

Segundo a PF, há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado. Uma empresária da cidade também foi presa temporariamente.

A operação

A segunda fase da operação Lamaçal nesta quinta cumpriu 20 mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Três carros foram apreendidos, além de celulares e documentos, que serão analisados pelos agentes.

O que dizem as defesas

A defesa do ex-prefeito declarou que foi pega de surpresa com a prisão e ainda não teve acesso à decisão da operação.

A Prefeitura de Lajeado informou que a PF realizou diligências junto a setores do Executivo municipal e que a ação integra investigação relacionada a contratos de prestação de serviços terceirizados firmados em períodos anteriores à atual gestão.

“Desde o início da operação a Administração Municipal vem colaborando com as investigações e prestando todas as informações e fornecendo documentos solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos”, disse.