Familiares de vítimas da Kiss divulgam manifesto contra redução das penas

Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, reduzir penas dos quatro condenados pelo incêndio na boate, que ocorreu em 2013

Gabriela Garcia, da CNN, Porto Alegre

A Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria divulgou um manifesto, nesta quinta-feira (28), contra a decisão do TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) que reduziu as penas dos quatro condenados pelo incêndio na boate Kiss.

Na última terça-feira (26), os desembargadores do TJRS decidiram, por unanimidade, fixar pena de 12 anos de prisão aos sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann. Antes, as penas eram de 22 anos e seis meses e 19 anos e seis meses de prisão, respectivamente.

Já o músico Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Luciano Bonilha Leão tiveram a pena reduzida para 11 anos. Anteriormente, eles haviam sido condenados a 18 anos cada. A decisão ainda cabe recurso.

Para a Associação, não foi respeitada “a Constituição que garante a Soberania do júri”, que, em 2021, condenou “de forma soberana pelo júri popular, por homicídio doloso”.

A entidade diz que, mais uma vez, “o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul adotou uma decisão que beneficia os réus condenados”.

Ainda, o manifesto diz que “os desembargadores do TJ creem que estão defendendo o Estado de Direito ao reduzirem as penas. Mas não. O que estão fazendo é confirmando a visão social de que as instituições da democracia não são capazes de responder à demanda de justiça da sociedade”.

As defesas dos quatro condenados pelo incêndio na boate Kiss informaram à CNN Brasil que ingressaram com pedido de progressão ao regime semiaberto. A solicitação acontece após a redução das penas. Com isso, em teoria, os condenados preenchem os requisitos para a progressão do regime. Entre eles, cumprir o tempo necessário no regime fechado e a remição de pena por estudo ou trabalho.

Em 2021, eles foram condenados por homicídio com dolo eventual pela morte de 242 pessoas e lesões em mais de 600 vítimas, no incêndio na boate Kiss.

O caso ocorreu em 2013, em Santa Maria (RS).