Maior praia do Brasil está com trecho interditado por lama; entenda

Praia do Cassino, em Rio Grande (RS), tem trecho de cerca de 2km de extensão interditado

Gabriela Garcia, da CNN Brasil, Porto Alegre
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Um trecho de cerca de 2km da praia do Cassino, em Rio Grande (RS), está interditado após ser invadido por lama. A praia é considerada a maior do Brasil, com 254 km de extensão contínua.

Conforme a Prefeitura de Rio Grande, o expurgo de lama ocorreu na última quinta-feira (20). Desde então, foram colocados pequenos muros de areia para isolar a área e evitar a aproximação de banhistas e veículos.

O trecho fica entre as ruas Rio de Janeiro e o Canal Farroupilha. O município reforça que a orientação é de não realizar banho de mar no trecho.

“A medida tem o objetivo de garantir a segurança dos banhistas, considerando o acúmulo de barro e as condições instáveis da faixa de praia no ponto”, disse a prefeitura, em nota.

Segundo a professora do IO (Instituto de Oceanografia) da FURG (Universidade Federal do Rio Grande), Elaine Goulart, a lama se acumula ao longo do tempo em áreas mais profundas, logo à frente da linha de costa.

Quando esse depósito atinge grandes volumes e ocorre a passagem de uma tempestade com ondas mais altas, o material pode ser mobilizado e transportado para a praia.

A professora explica que há duas interpretações para o fenômeno. Parte dos pesquisadores defende que a lama tem origem predominantemente natural, resultado do aporte de sedimentos finos provenientes da Lagoa dos Patos.

Por outro lado, há pesquisadores que consideram que as atividades de dragagem realizadas no estuário estariam relacionadas à produção e disponibilização desse material fino. Contudo, conforme Goulart, nenhuma das duas hipóteses foi definitivamente comprovada até o momento.

“É possível, inclusive, que a lama registrada na praia seja resultado da combinação de ambos os processos, com contribuições tanto naturais quanto associadas à dragagem”, explica a professora.

Para o também professor do IO da FURG, Osmar Möller, a lama faz parte de um processo natural e teria sido observado pela primeira vez em 1901.

Entre os riscos em relação ao acúmulo de sedimentos finos, o professor Möller ressalta que, quando há grandes depósitos sobre a praia, eles acabam ficando cobertos de areia e, com isso, há risco das pessoas ficarem presas. Além disso, carros também podem atolar.

O material, de acordo com o professor, deve voltar naturalmente ao oceano pela influência das ondas. Entretanto, não há como prever quando esse processo deve ocorrer.

“Isto depende do tempo e da variação do nível da água, que varia com marés, por exemplo”, afirma Möller.