Operação mira esquema de fraudes em falsa plataforma de investimentos

Mandados são cumpridos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo; uma única vítima teve prejuízo de R$ 37 milhões

Carolina Figueiredo, da CNN Brasil, Giuliana Zanin, da CNN Brasil*, em São Paulo
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quinta-feira (13), uma operação contra uma organização criminosa suspeita pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro utilizando falsas plataformas de investimento. As investigações começaram após a denúncia de uma vítima que sofreu prejuízo de R$ 37 milhões.

Os agentes buscam cumprir 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo. Até o momento, duas pessoas foram presas.

Entre os alvos dos mandados de prisão estão três donos de instituições financeiras; dois estrangeiros, sendo que um deles também é dono de uma das instituições financeiras; e uma gerente de instituição financeira tradicional responsável por facilitar a abertura de contas que eram operadas pelo grupo criminoso e para onde foram pulverizados os valores transferidos pelas vítimas.

A Justiça também decretou medidas cautelares contra oito investigados, como restrição de contato e deslocamento, recolhimento domiciliar, suspensão de atividades financeiras e proibição de realização de operações bancárias, financeiras ou que envolvam criptoativos.

A ação é realizada com apoios das policiais civis dos estados envolvidos.

Entenda a dinâmica do golpe

Segundo as autoridades, a atividade criminosa foi identificada como um "golpe do abate de porcos". Nessa modalidade, criminosos convencem e criam uma rede de confiança com as vítimas, gerando uma falsa expectativa de lucro ao longo do tempo, diferenciando-se do modelo tradicional e mais simples de golpe. O objetivo é aumentar cada vez mais o aporte dos investimentos nas plataformas.

Para persuadir as pessoas, os investigados apresentavam análises de mercado com resultados positivos e supostos especialistas da área, que favoreciam a credibilidade do golpe.

Segundo as investigações, a organização possuía uma divisão de tarefas, desde a captação de vítimas, até todo o procedimento de convencimento e congelamento dos procedimentos financeiros.

A vítima que denunciou a ação, que teve prejuízo de R$ 37 milhões, foi inserida em um grupo de mensagens que simulava uma comunidade de estudo sobre o mercado financeiro, com assistentes e outros participantes que demonstravam uma segurança à denunciante.

Ao tentar retirar dinheiro da rede, no entanto, a vítima tinha os saques bloqueados. A partir desse momento, a pessoa afetada se deparava com supostas taxas e impostos que seriam necessários para conseguir acessar o patrimônio.

Ao menos 140 potenciais vítimas estiveram expostas ao golpe financeiro.

Agentes de instituições como facilitadores do crime

Os criminosos utilizavam "laranjas" para abrir empresas e contas bancárias para aplicar as fraudes. As pessoas forneciam informações pessoais que possibilitavam a formalização do falso negócio e o acesso a aparelhos, senhas e credenciais necessários para a movimentação financeira.

Ou seja, grandes volumes de dinheiro obtidos pela ação criminosa circulavam por empresas que eram formalmente registradas em nome de pessoas que não necessariamente fazia parte das operações.

Uma das frentes de investigações é a participação de agentes de instituições financeiras na organização para a facilitação ao acesso de contas bancárias. Uma profissional já é investigada após a apuração localizar acessos internos compatíveis com os utilizados pelo grupo criminoso.

Sobre a vítima que perdeu R$ 37 milhões, por exemplo, das 25 empresas as quais ela realizou aporte, 24 delas possuíam contas em uma mesma instituição financeira.

Movimentações bancárias incompatíveis

Durante as investigações, foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com o patrimônio declarado de algumas empresas. Uma delas chegou a registrar cerca de R$ 295 milhões em apenas um dia.

No total, foram registrados valores acima de R$ 30 bilhões em contas de pessoas físicas e jurídicas, assim como circulação rápida de recursos e fracionamento das operações.