Catarina Kasten: Justiça começa a ouvir testemunhas em caso de feminicídio

Crime ocorreu no dia 21 de novembro de 2025 em uma trilha da Praia do Matadeiro, no sul de Florianópolis, em Santa Catarina

Helena Barra e Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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A primeira audiência de instrução e julgamento do caso de feminicídio da estudante Catarina Kasten, de 31 anos, morta durante trilha da Praia do Matadeiro, no sul de Florianópolis, em Santa Catarina, ocorreu nesta quarta-feira (11).

Segundo o Ministério Público (MP), foram ouvidas pela Justiça sete testemunhas da ação penal ajuizada pelo órgão em dezembro do ano passado.

À CNN Brasil, a Justiça de Santa Catarina afirmou que a defesa do réu formulou pedidos que serão analisados agora pelo juiz, antes das alegações finais que serão apresentadas pelo MP, pela assistente de acusação e pelos advogados.

O processo tramita em sigilo, por envolver crime de natureza sexual, e o acusado segue preso preventivamente.

Denúncia

Preso preventivamente desde o dia do crime — 21 de novembro de 2025 — Giovane Correa Mayer, de 21 anos, foi denunciado pelo Ministério Público por três crimes: feminicídio, estupro e ocultação de cadáver, em uma mesma sequência de violência.

No documento, o Ministério Público relata que o acusado agiu com intenção de matar, conscientemente, de forma voluntária e por razões da condição do sexo feminino. Conforme consta na acusação, Giovane teria envolvido o pescoço dela com um cordão/cadarço, ocasionado a morte por asfixia decorrente de estrangulamento.

A promotoria afirma que o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que o estrangulamento ocorreu quando ela já estava fisicamente debilitada, visto a violência sexual sofrida há pouco momentos antes.

Segundo apontado no relatório, Giovane, que estava consciente e agiu voluntariamente, surpreendeu Catarina durante a trilha, aplicou um golpe do tipo "mata-leão" na vítima, arrastou-a para um local na mata de dificil acesso e consumou o estupro. Na sequência, ele deixou o corpo em uma aréa de pouca visualização, afastado da trilha, em meio à mata e pedras.

A denúncia evidencia ainda que o homem atuou de forma premeditada, dado o momento em que se escondeu atrás de uma lixeira para observar o local e, logo após, armou a emboscada.

*Sob supervisão de AR.