Temporada de cruzeiros no Rio começa nesta semana e deve receber 170 mil pessoas

A retomada das navegações na capital fluminense acontece ao mesmo tempo em que a nova variante da Covid-19, Ômicron, se espalha por outros países, inclusive o Brasil

Após 20 meses, MSC Cruzeiros retoma operações
Após 20 meses, MSC Cruzeiros retoma operações Foto: MSC

Mylena Guedesda CNN*

Rio de Janeiro

Ouvir notícia

Começa neste mês a temporada de cruzeiros no Rio de Janeiro, com a movimentação de aproximadamente 170 mil pessoas na cidade. O primeiro navio chega no próximo sábado (4), no Píer Mauá. Ao todo, serão 57 desembarques e 25 embarques de cruzeiros na capital até o fim da temporada, em maio de 2022.

O Rio é o estado com maior quantidade de destinos para os viajantes de cruzeiros. Além da capital, Búzios, Angra dos Reis, Ilha Grande e Cabo Frio também recebem os passageiros.

O retorno das navegações a cidade acontece no mesmo momento em que a variante Ômicron, detectada pela primeira vez na África do Sul, se espalha por outros países, inclusive o Brasil.

À CNN, o presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos, Marco Ferraz, disse que é impossível ter a garantia completa de que a nova variante não infectará algum viajante, mas destacou que os protocolos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e seguidos a bordo são muito rígidos e a possibilidade de infecção é mínima nos navios.

“Temos protocolos rigorosos, como o teste diário de 10% da tripulação e dos passageiros além de assegurarmos que todos a bordo estão com o esquema vacinal completo contra o vírus. Todos os espaços dos navios foram redimensionados para atender as novas necessidades, como o distanciamento de 1,5 metro. Passamos pela Beta, Delta e agora a Ômicron e todos os protocolos minimizam a possibilidade de qualquer infecção. Claro que é impossível ter 100% de garantia, mas a chance é mínima”, afirmou.

Ferraz também ressaltou que a comunicação com a Anvisa é constante e que, se for preciso, mais restrições serão feitas.

“Nenhum navio consegue entrar ou sair de um porto sem o aval da Anvisa. O contato com eles é diário. Estamos acompanhando o cenário epidemiológico e, claro, se for determinado novas restrições, nós iremos cumprir”, disse o presidente.

A CNN também conversou com o secretário estadual de saúde, Alexandre Chieppe sobre a possível implementação de medidas restritivas no território fluminense por conta da temporada de cruzeiros aliada à detecção da Ômicron no país. Segundo Chieppe, no momento, não há receio com a chegada dos viajantes dos navios, mas caso o cenário mude, serão avaliadas restrições.

“A gente sabe que o Brasil, de certa forma, tem uma cobertura vacinal elevada e o Rio também avança na vacinação. Neste momento, com os indicadores estaduais que temos, não há receio em relação aos cruzeiros. Se houver mudança no cenário epidemiológico com a nova variante, aí sim iremos avaliar’, disse o secretário.

Já a secretaria municipal de saúde ressalta que os viajantes só poderão desembarcar no Rio caso tenham seguido corretamente o protocolo de embarque, com testagem negativa, e estejam com o passaporte da vacina em mãos. Só poderá acessar os pontos turísticos da cidade o viajante que comprovar o esquema vacinal completo.

A temporada brasileira já teve início, no dia 05 de novembro, no Porto de Santos, em São Paulo. Ao todo, 107 roteiros e 392 escalas serão realizados em destinos nacionais, como Búzios, Fortaleza, Salvador e Ilhabela.

Segundo o presidente da Associação de Cruzeiros, Marcos Ferraz, até o momento, mais de 25 mil viajantes já navegaram nesta temporada, de forma tranquila, sem problema.

Entre as diversas determinações da Anvisa para que os cruzeiros possam ser realizados, estão a obrigatoriedade do passaporte da vacinação e a ocupação máxima permitida de 75% do navio.

A nova temporada vinha sendo esperada pelo setor do turismo, já que no ano passado os cruzeiros foram cancelados em decorrência da pandemia. Antes da Covid-19, a expectativa do Porto do Rio era receber 400 mil turistas entre novembro de 2020 e abril de 2021.

Na última vez que houve os cruzeiros na cidade, na temporada 2019/2020, mais de 357 pessoas desembarcaram na capital fluminense, fechando com 100 atracações e 32 navios, sendo 24 internacionais.

Na época, em todo o Brasil, as navegações impactaram em mais de R$ 2 bilhões na economia e geraram 32 mil empregos diretos e indiretos. Nesta temporada, a previsão da Associação é de que o impacto seja de R$1,7 bilhão, e 24 mil pessoas fiquem empregadas.

Confira os principais protocolos sanitários estabelecidos pela Anvisa nos cruzeiros

  • Comprovante de vacinação completa contra Covid-19 para o embarque de todos os passageiros elegíveis pelo PNI.
  • Obrigação de apresentação de teste do tipo RT-PCR negativo feito até 72h ou de teste de antígeno feito até 24 hora antes do embarque.
  • Testagem diária de 10% dos passageiros a bordo e de 10% da tripulação. Testes positivos não poderão ser descartados por segundo teste (contraprova).
  • Triagem dos passageiros por meio de informações de Formulário contendo informações sobre as condições de saúde do viajante.
  • Lotação máxima da embarcação limitada a 75% da capacidade de passageiros.
  • Espaçamento a bordo de 1,5 metros entre grupos de viajantes (exemplo: grupo familiar ou grupo de pessoas que viajam juntas).
  • Testagem semanal de toda a tripulação a bordo.
  • Separação de cabines para isolamento de casos suspeitos a bordo.
  • Aprovação prévia dos protocolos de cada embarcação pela Anvisa.
  • Notificação diária da situação de saúde a bordo pela embarcação.

*Sob supervisão de Helena Vieira

Mais Recentes da CNN