Testemunha de todos os governos, Orlando Brito deixa legado na história política
Fotógrafo morreu nesta madrugada, aos 72 anos
Poder, Glória e Solidão; Senhoras e Senhores; Perfil do Poder; Iluminada Capital; Corpo e Alma. Os nomes de alguns dos livros assinados por Orlando Brito dão a pista que ele se dedicou a vivenciar e fotografar por mais de 60 anos de sua vida: a política em Brasília.
Brito, como era chamado por amigos e fãs, chegou na capital federal quando de fato tudo era mato. Era 1956, quatro anos antes da fundação daquela que os candangos como ele chamavam na época de capital da esperança.
Seus olhos e lentes foram testemunhas de todos os governos desde então. Encarava o fotojornalismo político como missão. Se via como uma antena fincada no coração do planalto central. Costumava dizer que precisava fotografar o poder porque as pessoas que estão do lado de lá do Brasil precisavam não só saber, mas ver os fatos da política.
Retratou a ditadura militar como ninguém. Foi o único a ter a coragem de clicar o ditador Ernesto Geisel na praia. A sequência de soldados que despencaram e morreram simbolizava a agonia do regime. Na redemocratização, clicou a vitória e a morte de Tancredo Neves. Viu nas vidraças do Palácio da Alvorada o holandês Mondrian com Fernando Henrique Cardoso. O Congresso blindado nas manifestações de 2013. O xadrez da política. São muitas, muitas imagens da história do Brasil nos últimos 50 anos.
Foi um pioneiro. Por vezes, inverteu a lógica. Eram os repórteres de textos que tinham que escrever sobre suas imagens. Seu talento era infinito. Assim como seu coração. Orlando Brito era um cavalheiro. Elegante, delicado, fala mansa, baixa. Costumava chamar os jornalistas e amigos pelo diminutivo, demonstrando afeto.
Orlando Brito faleceu nesta madrugada aos 72 anos. Deixa a filha Carolina e os netos Tomas e Teo.


