Turistas estrangeiros podem colocar em risco bom momento da pandemia no Rio

Pela primeira vez, todo a cidade do Rio tem risco baixo de contaminação pela Covid-19

Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro
Compartilhar matéria

Segundo o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, a situação epidemiológica favorável da cidade pode ser abalada pela chegada de turistas estrangeiros de países com baixa cobertura vacinal contra a Covid-19.

Uma forma de evitar o surgimento de novas cepas, vindas de fora, seria a cobrança do passaporte da vacina para entrada no país.

Soranz afirma que já fez essa solicitação ao Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, a necessidade de apresentação de comprovar o ciclo vacinal completo existe apenas para turistas de cruzeiros.

A afirmação aconteceu durante a apresentação do último boletim epidemiológico da cidade, que trouxe novidades quanto à classificação de risco das regiões administrativas do Rio.

Pela primeira vez, todo o município tem risco baixo de contaminação pela Covid-19. A nova classificação foi criada atendendo a uma recomendação do Comitê Especial de Enfrentamento à pandemia.

Nas últimas cinco semanas, as 33 regiões apresentavam risco moderado. O indicador leva em consideração o número de internações e mortes pela doença.

O Rio tem hoje a menor quantidade de pessoas internadas com coronavírus desde o início da pandemia: são 151 pacientes.

Eles correspondem a 2,4% do total de internados na rede SUS da capital fluminense. Além disso, segundo o secretário, 82% das unidades de saúde do Rio não recebem pessoas com Covid-19 há mais de uma semana.

A cada cem testes realizados na capital, quatro tem resultado positivo. “Melhor momento desde o início da pandemia”, avalia Soranz.

Vacinação

A queda no número de internações é resultado, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, da vacinação. Segundo o painel municipal, 66,2% da população total do Rio já recebeu duas doses ou dose única contra a Covid-19.

O suficiente para a prefeitura desobrigar, na última quarta-feira (27), o uso de máscaras em locais abertos e sem aglomeração.

A medida passou a valer um dia depois, quando o Governo do Estado publicou a regulamentação das normas. Desde o início da pandemia, 30 mil pessoas foram multadas na capital por utilização incorreta ou não uso da proteção facial.

A fiscalização vai continuar e a prefeitura não descarta a possibilidade de voltar atrás na flexibilização em caso de piora na situação epidemiológica da cidade.

Apesar do avanço da campanha de imunização, em torno de 230 mil pessoas estão com a segunda dose contra a Covid em atraso. Soranz explica que os principais motivos são o esquecimento da data, questões médicas (como contaminação por alguma doença no dia em que deveriam ter tomado a vacina) e reações adversas na primeira dose.

“Para esse último caso, liberamos a vacinação com outro imunizante”, lembrou o secretário, que confirmou a busca ativa que vem sendo feita para completar o ciclo vacinal dessas pessoas.