USP deve fomentar práticas de combate ao racismo para coibir casos, diz advogado

Advogado criminalista Fernando Santos destacou que todos os casos de racismo devem ser denunciados às autoridades

Da CNN, em São Paulo

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Para o advogado criminalista Fernando Santos, os ataques racistas sofridos por um policial militar durante palestra na Universidade de São Paulo (USP), na última terça-feira (9), exemplificam o crime de injúria racial e, por isso, a instituição deve adotar práticas para coibir que ações do tipo voltem a ocorrer.

“É necessário um diálogo direto com o Ministério Público e, principalmente, o fomento de práticas de combate ao racismo e antirracistas”, disse Santos em entrevista à CNN. “É muito importante que hoje o país compreenda que o racismo não é mais tolerado”, completou.

O especialista explicou que a utilização do termo “macaco” a um policial militar em exercício da função traz agravantes ao caso. “Houve uma ofensa direcionada ao tenente-coronel por conta de aspectos fenótipos, no caso, a sua negritude. E isso atrai incidência na norma penal e com alguns agravantes, por exemplo, o fato dele ser funcionário público no exercício da sua função”, afirmou.

Santos ainda alertou que vítimas de racismo devem denunciar os crimes às autoridades para que casos como o ocorrido na USP deixem, aos poucos, de acontecer

“Isso é fruto de uma estrutura racista, de um comportamento racista, que é construído ao longo da história. Então, todas as pessoas que se sentirem lesadas por esse tipo de conduta precisam procurar o Poder Público para que isso não fique impune. O silêncio se torna um aliado do abuso e do racismo”, afirmou o advogado.

Tenente-coronel da PM foi alvo de racismo em palestra virtual na USP
Tenente-coronel da PM foi alvo de racismo em palestra virtual na USP
Foto: Reprodução

(Publicado por Leonardo Lellis)

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