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    Veja imagens de clínica de reabilitação onde homem foi torturado em Cotia (SP)

    Local foi interditado e não tinha autorização de funcionamento, segundo Prefeitura de Cotia. Proprietários afirmam não saber das agressões

    Guilherme Gamada CNN São Paulo

    A Prefeitura de Cotia, na Grande São Paulo, interditou a clínica de reabilitação Comunidade Terapêutica Efatá, nesta terça-feira (9), após a morte de um paciente que foi filmado amarrado em uma cadeira por um dos funcionários do local. Em nota, o órgão afirma que o local “sem nenhum tipo de autorização para funcionamento”. A Secretaria da Saúde da cidade ainda informa que identificou sinais de maus tratos em outros pacientes.

    Na data, a prisão do monitor Matheus De Camargo Pinto, de 24 anos, foi convertida para preventiva. O homem gravou o paciente Jarmo Celestino De Santana, de 55 anos, sem camisa e com os braços presos para trás do encosto da cadeira e mandou um áudio em que descreve a tortura. A polícia entende que o funcionário usou violência para submeter a vítima, que estava sob seus cuidados, a intenso sofrimento físico ou mental.

    Em entrevista à CNN, Cleber Fabiano Da Silva, proprietário da clínica, disse que não sabia das agressões e vai prestar maiores esclarecimentos a polícia. Terezinha Cordeiro De Azevedo, advogada do investigado, condena as agressões de Matheus, nega qualquer relação do estabelecimento com maus tratos e defenda a legalidade da clínica.

    Cleber e sua esposa, Terezinha de Cassia de Souza Lopes da Conceição, também proprietária da clínica, devem ser ouvidos pela Polícia Civil nesta quinta-feira (11).  Funcionários da Comunidade Terapêutica Efatá serão investigados para apurar participação ou omissão da tortura. Os homens que aparecem rindo no vídeo e os donos no local serão ouvidos. Os internos foram transferidos para outras clínicas.

    Entenda o caso

    O paciente de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Cotia, na Grande São Paulo, Jarmo Celestino De Santana, de 55 anos, morreu nesta segunda-feira (8), após ser amarrado em uma cadeira e filmado por funcionários do estabelecimento.

    No vídeo, um monitor da clínica, Matheus De Camargo Pinto, de 24 anos, mostra a vítima sem camisa e com os braços presos para trás do encosto da cadeira e diz: “Mais um aí ó, na unidade aí ó Efatá aí ó, acompanhamento…” Quatro homens riem da situação. As imagens foram feitas na sexta-feira (5). Veja o vídeo:

    Na segunda-feira (8), a Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada para atender uma ocorrência no local por lesão corporal e encaminhou Matheus e o enfermeiro Cleber Fabiano da Silva à delegacia de Cotia (SP) para esclarecer o caso.

    O homem que aparece nas imagens foi levado para um posto de saúde na cidade de Vargem Grande do Sul (SP) e morreu durante a ocorrência. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirma que a vítima não resistiu aos ferimentos.

    Na delegacia, Matheus confessou gravar o vídeo. A Polícia Civil ainda acessou o celular do terapeuta e encontro um áudio que ele enviou o perfil “Danny vovó criminosa”, no qual admite a agressão: “Cobri no cacete, cobri… chegou aqui na unidade fi… pagar de brabo… cobri no pau. Tô com a mão toda inchada.” O celular dele e de Cleber foram apreendidos. Ouça áudio:

    O caso foi registrado como tortura qualificada pelo resultado morte, segundo o boletim de ocorrência. Matheus foi preso em flagrante. Na ocorrência, consta que o funcionário usou violência para submeter a vítima, que estava sob seus cuidados, a intenso sofrimento físico ou mental.

    Em entrevista à CNN, o delegado Adair Marques afirmou que Matheus disse que “usou força por algumas vezes para conter a vítima, que era agressivo e teve uns surtos”.